Com habeas corpus, presidente da Amar Brasil se cala diante da CPMI do INSS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Com habeas corpus, presidente da Amar Brasil se cala diante da CPMI do INSS

O presidente do Amar Brasil Clube de Benefícios, Américo Monte Júnior, permaneceu em silêncio na maior parte do depoimento
O presidente do Amar Brasil Clube de Benefícios, Américo Monte Júnior, permaneceu em silêncio na maior parte do depoimento. Foto: TV Senado

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Por Redação

Comissão investiga esquema que pode ter movimentado mais de R$ 700 milhões

O presidente do Amar Brasil Clube de Benefícios, Américo Monte Júnior, permaneceu em silêncio na maior parte do depoimento prestado nesta quinta-feira à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no INSS.

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Munido de um habeas corpus concedido pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, ele optou por não responder às perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar, limitando-se a confirmar informações básicas, como relações de parentesco e posse de bens.

Durante a oitiva, Monte Júnior afirmou que seu pai, Américo Monte, é o atual presidente da associação investigada.

Ele também se apresentou brevemente como empreendedor e reforçou que exerceria o direito ao silêncio, não assumindo o compromisso de dizer a verdade em razão de sua condição de investigado.

De acordo com Alfredo Gaspar, o depoente recebeu auxílio emergencial entre 2020 e 2021, período em que, segundo ele, passou a acumular um patrimônio milionário em poucos anos.

O relator destacou que, conforme informações da Polícia Federal, Monte Júnior seria proprietário de diversos veículos de luxo.

Para o parlamentar, o ponto central da investigação é apurar se o enriquecimento ocorreu por mérito próprio ou por envolvimento em irregularidades ligadas ao esquema de descontos indevidos de aposentados e pensionistas.

Durante a sessão, Gaspar apresentou um gráfico que indica ligações entre entidades associativas e empresas supostamente contratadas para prestação de serviços. Segundo ele, o conjunto das associações relacionadas a Monte Júnior pode ter movimentado mais de 700 milhões de reais em um esquema de fraude.

O relator classificou a Amar Brasil e organizações vinculadas como entidades de fachada, criadas para viabilizar os descontos indevidos.
“Sabe qual foi o serviço prestado pela Amar Brasil? Nenhum. Só o núcleo da Amar Brasil colocou no bolso mais de 20 milhões de reais”, afirmou o deputado.

Ao todo, cerca de 30 perguntas ficaram sem resposta por parte do depoente.

Concessão de habeas corpus e ausência da Conafer

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, criticou a concessão de habeas corpus a investigados convocados pela comissão. Segundo ele, a medida revela um desequilíbrio na relação entre os Poderes, ao limitar o alcance das oitivas.

Viana também comentou a ausência do secretário da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares do Brasil, Silas da Costa Vaz, que apresentou atestado médico para não comparecer. O documento foi emitido no Amazonas, apesar de o secretário morar no Distrito Federal.

Diante da situação, o presidente da CPMI afirmou que irá acionar a junta médica oficial do Congresso para avaliar a justificativa apresentada e não descartou a possibilidade de condução coercitiva do representante da Conafer caso haja irregularidades.

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