Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado ontem (23), estima que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia.
Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, segundo a entidade.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta impacto adicional de R$ 122,4 bilhões no comércio, com elevação de 21% na folha salarial, e de R$ 235 bilhões no setor de serviços. A estimativa inclui perda de 631 mil empregos formais. Ao todo, 31,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada poderiam ser afetados.
A projeção da CNI considera dois cenários para manter o volume atual de horas trabalhadas: pagamento de horas extras aos empregados atuais ou contratação de novos trabalhadores.
No setor industrial, o impacto pode alcançar 11,1% da folha de salários. O aumento de despesas seria de R$ 87,8 bilhões no cenário de horas extras e de R$ 58,5 bilhões anuais com novas contratações.
Dos 32 setores industriais analisados, 21 teriam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada.
Impactos estimados por setor:
- Indústria de transformação: de 7,7% a 11,6%
- Construção civil: de 8,8% a 13,2%
- Comércio: de 8,8% a 12,7%
- Agropecuária: de 7,7% a 13,5%
Micro e pequenas empresas industriais concentrariam maior impacto proporcional. Segundo a CNI, essas empresas reúnem maior número de empregados com jornadas superiores a 40 horas semanais.
No cenário de horas extras:
- Empresas com até 9 empregados: aumento de R$ 6,8 bilhões (alta de 13%)
- Empresas com 250 empregados ou mais: aumento de R$ 41,3 bilhões (alta de 9,8%)
No cenário de novas contratações:
- Empresas com até 9 empregados: aumento de R$ 4,5 bilhões (alta de 8,7%)
- Empresas com 250 empregados ou mais: aumento de R$ 27,5 bilhões (alta de 6,6%)
“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A entidade afirma que micro e pequenas empresas respondem por 52% do emprego formal no país e teriam maior dificuldade de adaptação.
“A dificuldade de adaptação para micro e pequenas empresas, que correspondem a 52% do emprego formal do país, mas que não dispõem de recursos ou estrutura física para ampliar equipes, será ainda maior. Como resultado, essas indústrias tendem a reduzir a produção, perder a competitividade e comprometer os postos de trabalho”, afirmou Alban.
O tema integra o debate eleitoral e pode ser pautado no Congresso ainda em 2026.
