Cláudio Castro diz que Rio está “sozinho” no combate ao crime
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Cláudio Castro diz que Rio está “sozinho” no combate ao crime

Cláudio Castro diz que o Rio enfrenta o crime organizado sem apoio federal e que o governo negou pedidos de blindados das Forças Armadas.
Cláudio Castro diz que o Rio enfrenta o crime organizado sem apoio federal e que o governo negou pedidos de blindados das Forças Armadas.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Governador afirma que pedidos de blindados foram negados e que o estado está em “alerta” para retaliações

O governador Cláudio Castro (PL) afirmou nesta terça-feira (28) que o combate ao tráfico de drogas ultrapassou a capacidade do Estado do Rio de Janeiro. Ele concordou com a declaração da porta-voz da Polícia Militar, que havia dito que a guerra entre facções criminosas excede o limite de atuação da segurança pública estadual.

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Castro cobrou ajuda do governo federal, citando os blindados das Forças Armadas, mas disse ter recebido reiteradas negativas da União. A declaração foi dada após uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, que deixou policiais e suspeitos mortos.

“Essa operação de hoje tem muito pouco a ver com a Segurança Pública. É uma operação de estado de Defesa. É uma guerra que está passando os limites de onde o estado deve estar sozinho defendendo. Para uma guerra dessa, que nada tem a ver com a segurança urbana, deveríamos ter um apoio maior e, até, das Forças Armadas. (…) O Rio está sozinho nessa guerra”, disse Castro.

O governador relatou ter solicitado apoio de blindados das Forças Armadas em três ocasiões, mas os pedidos foram negados.

“Já entendemos haver uma política de não ceder. Disseram que precisa de uma Garantia de Lei e Ordem (GLO). Depois, disseram que poderiam emprestar e voltaram atrás, porque o servidor que opera o veículo é federal e deveria ter a GLO, enquanto o presidente é contra a GLO”, afirmou.

Castro também declarou que o estado está em alerta para possíveis retaliações de facções criminosas.

“Estamos em estado de atenção e alerta para possíveis retaliações. A polícia está toda na rua e todos os batalhões estão em prontidão”, disse o governador.

A operação Contenção foi deflagrada para cumprir mandados contra integrantes do Comando Vermelho e contou com 2,5 mil policiais e apoio do Ministério Público do Rio (Gaeco/MPRJ). Até o fim da manhã, 56 pessoas haviam sido presas e 31 fuzis apreendidos.

Integrantes do governo federal afirmaram que Castro não solicitou ajuda da União para a operação desta terça-feira. Segundo fontes do Ministério da Defesa, pedidos de uso de blindados devem ser feitos formalmente ao governo federal e dependem de autorização da Presidência da República para a decretação de GLO.

O Ministério da Justiça lembrou que o governo já enviou a Força Nacional e realizou ações conjuntas da PRF em apoio à segurança do Rio em ocasiões anteriores.

Nas redes sociais, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reforçaram as críticas à gestão federal, associando a escalada da violência à fala recente de Lula sobre o tráfico.

“Nada me surpreende depois que Lula disse que os traficantes são vítimas dos usuários”, escreveu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na sexta-feira, Lula declarou que traficantes de drogas ‘são vítimas de usuários’, mas depois se retratou, dizendo ter feito uma “frase mal colocada”. A fala repercutiu negativamente e foi usada pela oposição como exemplo de desconexão do governo federal com a crise da segurança pública.

Outros parlamentares, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Cabo Gilberto (PL-PB), também criticaram a falta de apoio da União e a restrição do STF às ações policiais em comunidades, por meio da ADPF 635.

“O estado do Rio enfrenta tudo isso por conta das limitações impostas às ações policiais e pela condução do descondenado Lula”, afirmou Cabo Gilberto.

Aliados do PL avaliam que a operação fortalece Castro como liderança na pauta da segurança pública, tema central na estratégia eleitoral do partido para 2026.

Assista abaixo imagens da operação

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