Ciro Gomes filia-se ao PSDB e critica o PT: “Aqui não tem ladrão”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Ciro Gomes filia-se ao PSDB e critica o PT: “Aqui não tem ladrão”

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Por Taís Hirschmann

Cerimônia de filiação ao partido teve presença do bolsonarista André Fernandes e Tasso Jereissati; Ciro ficou 10 anos no PDT e anunciou saída na semana passada

O ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes fez críticas ao PT nesta quarta-feira (22) durante a sua cerimônia de filiação ao PSDB. O candidato à Presidência nas últimas eleições criticou tanto a gestão do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), quanto a do Lula (PT).

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Ciro afirmou que, na cerimônia desta quarta-feira (22), havia representantes de partidos com os quais ele tinha “muitas afinidades e algumas desavenças”, mas que isso será resolvido “fraternalmente”. Estiveram na cerimônia políticos e líderes estaduais do PL, União Brasil, Cidadania e Avante.

“Repare bem: quando Lula se elege, chama o José Alencar, do PL. Aí tudo bem, pode fazer aliança com o PL. Quando o Lula resolveu lançar Dilma [Rousseff à Presidência] sem vivência política alguma, ele chamou a polêmica figura do Michel Temer, do MDB, para a vice. Aí não tem problema nenhum, porque sendo o Lula e o PT, pode”, disse Ciro.

“Quando agora mais recentemente o Lula quis se reeleger, quem ele chamou para ser seu vice? Geraldo Alckmin, fundador do PSDB. Agora, um socialista, um grande guru da esquerda, um companheiro, porque para eles, tudo pode”, ironizou o ex-governador. “Pode trazer as diferenças. Quero ver quem tem moral para fazer essa discussão. Aqui não tem ladrão. E lá? Dá para dizer isso?”, questionou.

A cerimônia de filiação de Ciro ao PSDB foi acompanhada pelo deputado bolsonarista André Fernandes (PL-CE), presidente estadual do PL. Fernandes foi apoiado por Ciro na campanha para a Prefeitura de Fortaleza contra o lulista Evandro Leitão (PT), que saiu vitorioso. Além de Fernandes, compareceram o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil-CE), o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil-CE), o presidente do Avante no Ceará, Rodrigo Nogueira, e o presidente do Cidadania do Ceará, Alexandre Pereira.

Caracterizando seu retorno ao tucanato como um “recomeço de sua vida pública”, Ciro disse que a atual gestão federal é “a mais corrupta da história”. E acrescentou: “Acha que eu estou exagerando? Desafio qualquer petista a me contestar. Nós esculhambamos o [ex-presidente Jair] Bolsonaro quando ele começava a liberar emendas na faixa de R$ 30 bilhões por ano. Pois bem, o Lula já liberou este ano R$ 63 bilhões para a roubalheira generalizada”.

Ciro também fez críticas à “oposição sectária” que entregou a Lula a posse do discurso patriótico ao apoiar as sanções dos Estados Unidos contra o Brasil. “Aproveitando essa inconsequência, na propaganda oficial do governo, nós temos um quadro que está tudo cor-de-rosa e lindo”, disse Ciro. O ex-governador cearense afirmou que o Brasil enfrenta problemas como o aumento da precariedade do emprego e da dependência dos programas sociais federais.

Desfiliação do PDT

Ciro, 67 anos, esteve no PDT por 10 anos e entregou a carta de desfiliação ao presidente da sigla, Carlos Lupi, na sexta-feira (17). Essa é a 7ª legenda da qual o ex-governador do Ceará e ex-ministro se desliga em sua carreira política. Além do PDT e do PSDB, Ciro foi filiado ao PDS, ao PMDB, ao PPS, ao PSB e ao Pros.

A decisão de Ciro de se desligar do PDT foi motivada por divergências nas alianças para a disputa pelo governo do Ceará em 2026. O político discorda do apoio pedetista ao petista Elmano de Freitas. Ciro e Elmano devem protagonizar a disputa pelo governo do Estado.

O PT ocupa o cargo desde 2015, quando Camilo Santana –atual ministro da Educação de Lula da Silva (PT)– foi eleito. A oposição ao PT deve ser uma das bandeiras de Ciro no retorno ao PSDB. No PDT desde 2015, Ciro disputou pelo partido duas das 4 eleições presidenciais de que participou. Declarou estar “infeliz” na sigla depois da adesão à base de Lula, de quem já foi ministro e aliado.

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