Ex-governador cita prisão de candidato ligado ao CV, prefeito de Choró foragido e lavagem de dinheiro em Icó
O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, denunciou nesta quarta-feira (30) que integrantes do PSB e do PT no estado têm ligações diretas com o crime organizado e classificou o cenário local como uma “ditadura corrupta”. Segundo ele, há interferência do poder nos órgãos Judiciário, Ministério Público e imprensa.
Durante o Fórum O Otimista Brasil 2025, Ciro citou casos específicos. Ele lembrou a prisão de um candidato do PSB acusado de ligação com o Comando Vermelho do Rio de Janeiro, que teve seu lugar ocupado pelo próprio filho, também do PSB, sem que o partido, presidido no Ceará por Eduardo Santana, pai do ministro da Educação, Camilo Santana, emitisse qualquer repúdio.
“E lá não sai uma linha sobre isso”, criticou em entrevista à Rádio Metropolitana FM 90,5 de Aracaju.
O ex-governador também mencionou o prefeito de Choró, Bebeto, com prisão preventiva decretada há quase um ano, sem ação efetiva do governo estadual.
Em Icó, apontou indícios de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho através da prefeitura, com supostas ligações ao PT e ao deputado Zé Guimarães, envolvendo transações financeiras significativas em uma farmácia local.
Ciro afirmou que decidiu abdicar de sua candidatura, mas manteve a responsabilidade de cumprir compromissos políticos com o Ceará.
“Fui parte da construção da estrutura política ali estabelecida, que, lamentavelmente, se transformou em algo preocupante. O Ceará vivencia um cenário que se assemelha a uma ditadura corrupta, com interferência inaceitável do poder nos órgãos Judiciário, Ministério Público e imprensa. A corrupção generalizada é agravada pela infiltração de facções criminosas na política cearense”, declarou.
O ex-governador relacionou o crescimento do crime organizado à omissão do governo Lula e do PT.
“Esse tipo de problema só tomou essa gravidade, essa complexidade pela omissão do Lula e do PT”, afirmou.
Ele afirmou ainda que é justo que o brasileiro reclame, considerando que o partido está no quinto mandato e não implementou inovações institucionais suficientes para conter a expansão das facções criminosas.
Ciro destacou que a prioridade deve ser rastrear o dinheiro e as conexões políticas das facções.
“Em vez de ficar batendo em bagrinho embaixo, você tem que ir em cima, pegar e rastrear o caminho do dinheiro, o caminho da conexão política”, disse.