Em depoimento nesta quinta-feira (22) ao STF, o capitão Adriano Alves Teperino, do Exército, negou qualquer envolvimento do tenente-coronel Mauro Cid em tentativas de obstrução à transição de governo em 2022. Questionado se Cid criou entraves ao governo eleito, foi direto: “Não, pelo contrário, sempre nos orientou a apoiar o governo de transição.”
Teperino, que atuou como coordenador da ajudância de ordens da Presidência da República, trabalhou com Cid de agosto de 2019 a dezembro de 2022. Em sua fala, negou ter conhecimento de qualquer plano de golpe e afirmou que Cid nunca apoiou manifestantes ou comentou assuntos ligados ao 8 de janeiro. “Nem tempo para isso ele tinha”, disse.
O capitão ainda contou que manteve contato com Cid após sua prisão e confirmou visitas em 2023 e 2024. Disse que o coronel jamais comentou o inquérito em andamento ou demonstrou posicionamento político. “Sempre falávamos sobre trabalho e família”, completou.
Fontes variadas
Outro depoente, o general Júlio César de Arruda, ex-comandante do Exército, também afastou a ideia de politização de Cid. Afirmou que o oficial sempre foi técnico e respeitado. “Era um bom militar, operacional e intelectual”, declarou. Arruda destacou que a nomeação de Cid para o controle do 1º Batalhão de Ações de Comandos foi decidida com antecedência, ainda sob Jair Bolsonaro, mas o oficial não chegou a assumir o posto.
Durante o depoimento, o general rebateu reportagens que o acusavam de ter barrado a entrada da Polícia Militar no QG do Exército no dia 8 de janeiro. Disse que buscou coordenar as ações com o interventor federal e os ministros da Defesa, da Casa Civil e da Justiça. Também negou ter expulsado generais da reserva de seu gabinete.
O general João Batista Bezerra e o general Edson Diehl Ripol reforçaram a linha de defesa. Ambos trabalharam com Cid antes de 2016 e o descreveram como disciplinado e comprometido. Ripol afirmou que, se Cid tivesse mencionado qualquer ação golpista, ele teria sido repreendido imediatamente. “Temos que celebrar a Constituição”, disse.
O sargento Luís Marcos dos Reis e o capitão Raphael Monteiro também negaram qualquer contato com minutas golpistas. “Jamais me foi apresentado qualquer documento nesse sentido”, declarou Monteiro.
Com os depoimentos, a defesa de Cid busca demonstrar que sua atuação sempre foi institucional, afastada de qualquer articulação política ou tentativa de ruptura.
Indefinido
As oitivas seguem até 2 de junho, com mais testemunhas previstas. A fase final do processo está programada para acontecer entre setembro e outubro.
