Defesa de Filipe Martins critica pedido da PF e acusa Shor de tentar “criar fumaça” para encobrir erro
Apresentado pelo jornalista Claudio Dantas, o programa ALive desta terça-feira (21) abordou o pedido da Polícia Federal (PF) para a abertura de investigação sobre o registro de entrada de Filipe G. Martins nos Estados Unidos, em 30 de dezembro de 2022.
Segundo a corporação, os envolvidos na “trama golpista” teriam “simulado” a entrada do ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro no país.
“O registro de entrada, ainda que em caráter indiciário, revela a possibilidade de que integrantes da organização criminosa, abusando dolosamente das prerrogativas diplomáticas, tenham se utilizado do procedimento migratório diferenciado relacionado a comitivas de chefes de Estado, no qual não há a presença física dos integrantes da comitiva presidencial perante as autoridades migratórias, com a finalidade de simular uma falsa entrada de Filipe Martins em território norte-americano”, afirmou o delegado Fabio Shor ao encaminhar o pedido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
A solicitação da PF foi feita após o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) negar que Martins tenha ingressado no país — informação que contradiz registros anteriores dos sistemas migratórios norte-americanos. Moraes determinou que a corporação se manifeste sobre o caso.
Jeffrey Chiquini, advogado de Martins, participou da ALive de hoje e comentou sobre o mais novo pedido da corporação. Segundo o jurista, a tese da PF é uma “insanidade” e o “erro” de Shor foi utilizar uma “lista provisória” de passageiros, encontrada no celular de Mauro Cid.
“A alegação da acusação agora é que Filipe Martins fingiu que viajou, forjou a viagem, para criar um álibi de defesa e dizer futuramente que estava sendo perseguido”, salientou. “A suposta viagem se deu em dezembro de 2022. A prisão de Filipe Martins foi em fevereiro de 2024, quase dois anos depois.”
“O Filipe Martins teria que ter uma bola de cristal para saber que, dois anos depois, ele seria acusado de uma minuta [golpista] que não fez e de reuniões das quais não participou”, destacou Chiquini.
“Além de ter forjado uma viagem que não fez, ele o teria feito fazendo uma futurologia, de que seria acusado de fatos que sequer conhecia”, acrescentou o advogado. “O delegado Shor cria essa fumaça a tumultuar o meio de campo porque ele não quer confirmar o erro dele”.

Já na visão da cientista política Júlia Lucy, a Polícia Federal “tenta se eximir da responsabilidade” de ter apresentado um documento falso para o ministro do Supremo. Ela relembrou o caso do CBP e disse que, agora, “a Polícia Federal, nessa tentativa de se desvincular desse erro, tenta colocar a responsabilidade em cima do réu Filipe Martins”.
A ex-deputada distrital relatou também que a PF pediu, no mesmo ofício encaminhado a Moraes, um inquérito para investigar os advogados de Martins, jornalistas e influenciadores que criticaram o caso envolvendo o ex-assessor de Bolsonaro, como já reportado por este site.
“A gente já pode se preparar, porque a chance da gente entrar nesse [outro] inquérito é gigantesca”.

Tostes e o desagravo em favor de Chiquini
O conselheiro federal da OAB Marcelo Tostes, que ingressou com um pedido de desagravo em favor de Chiquini, também participou da ALive e comentou sobre a solicitação. O advogado de Filipe Martins chegou a ser destituído por Moraes da defesa do ex-assessor no mês passado.
Na ocasião, Moraes alegou que o advogado não apresentou as alegações finais — última fase antes do julgamento da trama golpista — e teve comportamento “inusitado” para realizar uma “manobra procrastinatória”.
Chiquini se defendeu afirmando que havia apenas pedido mais prazo para as alegações, justificando que a PGR havia acrescentado novos elementos à acusação. Dias depois, Moraes recuou e suspendeu os efeitos de sua decisão de afastar o advogado.
Ao comentar sobre seu desagravo, Tostes disse que o ministro do STF quer “acusar, julgar e agora indicar o advogado do acusado”: “Nós estamos vivendo um mundo que nem na época da ditadura militar isso aconteceu”.
“Vou continuar lutando pelos direitos, independentemente de ser da direita ou da esquerda. Eu acho que, dentro da OAB, a gente precisa lutar pela justiça”, afirmou. “O nosso Supremo Tribunal Federal deixou de aplicar a justiça”.
“O mais absurdo que a gente tem é que a Corte máxima, que deveria defender a nossa Constituição, não a respeita”.

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