Casal condenado por homeschooling repercussão internacional
Brasília, Quarta, 08 de julho de 2026
Educação

Caso do casal condenado por homeschooling ganha repercussão internacional

Fox News destaca condenação de pais brasileiros por educação domiciliar e afirma que processo expõe insegurança jurídica

Fox News Casal de Jales homeschooling
Foto: Reprodução/ Fox News

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

A condenação de Adauto e Ieda Denardi, casal de Jales (SP), por abandono intelectual após optar pela educação domiciliar das duas filhas ganhou repercussão internacional. Nesta quarta-feira (8), a emissora norte-americana Fox News publicou uma reportagem sobre o caso, classificando-o como o primeiro processo criminal desse tipo no Brasil.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O veículo repercute a decisão da Justiça de São Paulo que condenou o casal a 50 dias de prisão em abril deste ano. A pena, no entanto, está suspensa até o julgamento do recurso apresentado pela defesa.

A reportagem cita informações da Alliance Defending Freedom (ADF) International, organização que presta assistência jurídica à família. Segundo a entidade, a sentença considerou que o conteúdo ensinado às meninas não incluía temas como educação sexual, gênero, tolerância e diversidade.

A publicação também destaca que a decisão judicial menciona a preferência das filhas por música religiosa e clássica, em vez de gêneros populares como trap e sertanejo, ao concluir que elas não teriam sido plenamente inseridas na cultura brasileira.

À Fox News, a advogada da família, Isabel Monteiro, afirmou que a condenação teve motivação ideológica e criticou os fundamentos adotados na sentença.

Ministério Público defendeu absolvição

A reportagem destaca ainda que o próprio Ministério Público pediu a absolvição do casal após uma avaliação realizada por um psicólogo educacional independente concluir que as meninas apresentavam bom desenvolvimento acadêmico e social e não havia indícios de abandono intelectual.

Segundo a defesa, foram apresentadas mais de 3 mil páginas de documentos, incluindo atividades escolares, certificados de cursos, registros da rotina de estudos e outras provas para demonstrar que as filhas recebiam educação regular.

Mesmo assim, a condenação foi mantida em primeira instância.

Caso foi debatido no Congresso

A condenação reacendeu o debate sobre a regulamentação do homeschooling no Congresso Nacional.

No dia 9 de junho, Adauto e Ieda participaram de audiência pública na Câmara dos Deputado para defender a aprovação do Projeto de Lei 1.338/2022, que regulamenta a educação domiciliar no Brasil.

Durante a audiência na Câmara, Adauto questionou a condenação.

“Educar nossos filhos é crime?”, afirmou.

No Senado, no dia 11 de junho, a filha mais velha do casal, Alícia Denardi, também criticou a decisão da Justiça.

“Eu não fui abandonada intelectualmente. Eu fui ensinada pelos meus pais. Meu crime foi ser educada pelos meus pais”, declarou aos senadores.

O PL 1.338/2022 foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 2022 e recebeu parecer favorável da relatora na Comissão de Educação do Senado em 2025, mas ainda não foi votado pelos senadores.

Atualmente, o homeschooling não possui regulamentação específica no Brasil. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a modalidade não é inconstitucional, mas estabeleceu que sua adoção depende de lei aprovada pelo Congresso Nacional.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade