Deputados mantêm cargos após votações que decidiram sobre cassação
A Câmara decidiu não cassar os mandatos de Carla Zambelli e Glauber Braga. A deputada foi alvo de representação por condenação criminal transitada em julgado no STF, enquanto o psolista respondeu a processo por quebra de decoro parlamentar após agredir um integrante do MBL.
Os dois casos foram analisados pela Casa em votações entre a noite de quarta-feira (10) e a madrugada de hoje (11).
No caso de Zambelli (PL-SP), o plenário não atingiu a maioria absoluta de 257 votos necessária para a cassação do mandato. O placar ficou em 227 favoráveis e 170 contrários, mantendo a parlamentar no cargo.
Zambelli está presa na Itália desde julho, após optar pelo autoexílio durante os julgamentos do STF. Ela foi condenada a 10 anos de prisão por invasão do sistema do CNJ e também recebeu sentença da Corte por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.
Já no caso de Glauber Braga (PSOL-RJ), o plenário aprovou a suspensão de seis meses por 318 votos a 141. A votação retirou da pauta a possibilidade de cassação, que tornaria Braga inelegível por 8 anos.
O deputado do PSOL agrediu no ano passado um integrante do MBL com chutes e empurrões, mas alega que foi provocado. O caso aconteceu nas dependências do Congresso.
Direita pró-Glauber
A suspensão do mandato de Braga aconteceu após manobra do PSOL. Parlamentares do Centrão e parte da direita passaram a apoiar a medida ao perceberem que não havia votos suficientes para a cassação.
Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a postura desses colegas: ver “gente de direita com pena de comunista” representa “o ápice da ignorância da guerra política”.
Ver gente de direita com pena de comunista é o ápice da ignorância da guerra política. Quem não combate é vencido. E cassar um comunista não é vingança, é proteção. É menos um com poder pra te aniquilar amanhã.
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) December 11, 2025
O vice-líder do PL, Bibo Nunes (RS), foi destituído do cargo após votar a favor da emenda que previa a suspensão. O parlamentar alegou, ao apoiar a manobra psolista, que Glauber poderia acabar sem qualquer punição.
Além de Bibo, outros 6 deputados do PL votaram a favor de Glauber: Altineu Côrtes (RJ), Fernando Rodolfo (PE), Helio Lopes (RJ), Ícaro Valmir (SE), João Carlos Bacelar (BA) e Pastor Gil (MA).
