Câmara adia PL que amplia poder do CADE sobre plataformas digitais - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Câmara adia PL que amplia poder do CADE sobre plataformas digitais

Urgência de proposta que cria nova área de fiscalização para big techs fica para depois do Carnaval

O texto cria critérios para identificar empresas com relevância sistêmica no mercado digital. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados.

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Câmara dos Deputados adiou para depois do Carnaval a votação do regime de urgência do projeto de lei que estabelece novas regras concorrenciais para plataformas digitais no Brasil. A proposta prevê a criação da Superintendência de Mercados Digitais, vinculada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), responsável por acompanhar empresas consideradas dominantes no ambiente online.

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O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a anunciar a análise do texto, mas a tramitação foi interrompida após manifestações de frentes parlamentares e entidades empresariais pedirem mais tempo de discussão.

Em nota, a Frente Parlamentar pelo Ambiente de Negócios e a Coalizão das Frentes Produtivas afirmaram que a votação acelerada poderia comprometer a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória. Segundo o grupo, ainda faltam estudos de impacto e diálogo com os setores atingidos pela proposta.

Representantes do setor de tecnologia também demonstraram preocupação. O Conselho Digital avalia que, embora a iniciativa seja direcionada às grandes plataformas, seus efeitos podem atingir todo o ecossistema econômico conectado à internet. A entidade também alerta para a possibilidade de o CADE interferir em modelos de negócio, algoritmos e fluxos de dados.

O que muda com o projeto

O texto cria critérios para identificar empresas com relevância sistêmica no mercado digital — aquelas com grande poder econômico e capacidade de influenciar a concorrência. Entre os fatores analisados estão presença em múltiplos mercados, número elevado de usuários e acesso massivo a dados.

A regra valeria apenas para companhias de grande porte, com faturamento global superior a R$ 50 bilhões ou receita acima de R$ 5 bilhões no Brasil.

Uma vez enquadradas nessa categoria, as plataformas poderão receber obrigações específicas para estimular a concorrência, como manter representação legal no país e cumprir exigências adicionais de transparência. A nova superintendência faria a fiscalização, enquanto as sanções continuariam sob responsabilidade do tribunal do próprio CADE.

Argumentos do governo

O governo federal afirma que a legislação atual é insuficiente para lidar com o crescimento das grandes plataformas digitais, que passaram a concentrar dados, mercados e infraestrutura essencial da economia.

Segundo o Executivo, a proposta trata de regras econômicas — e não de conteúdo publicado — e busca reduzir abusos de poder de mercado, estimular inovação e ampliar a liberdade de escolha dos consumidores, além de aproximar o Brasil de práticas regulatórias adotadas em outros países.

Oposição

Parlamentares de oposição e partidos contrários ao projeto afirmam que a medida amplia excessivamente a atuação estatal. O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança classificou a proposta como uma forma indireta de controle sobre as plataformas, enquanto o ex-deputado Deltan Dallagnol apontou risco de interferência nas redes sociais.

O partido Novo também se posicionou contra o texto, alegando que a mudança transformaria o CADE em uma superagência reguladora com capacidade de interferir em tecnologias, contratos e funcionamento das empresas.

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