Se eu fosse Jair Bolsonaro, ou Flávio, estaria agora como o Quico, aquele personagem do Chaves (com s mesmo). Se topasse com Valdemar Costa Neto na rua, ou no diretório do PL, diria: Cale-se, cale-se, cale-se! Você me deixa loucooo!!!
Afinal de contas, o que está acontecendo com o cacique do partido do pré-candidato da direita à Presidência da República; que nos últimos dias saiu a dar entrevistas chutando a canela de aliados e lançando flores aos rivais. Aliás, por que diabos Valdemar está dando entrevistas?
Se não pode ajudar, não atrapalhe, diria qualquer militante bolsonarista. Não que o ex-mensaleiro esteja falando mentiras, mas certas verdades são inconvenientes na política, especialmente em ano eleitoral, ainda mais numa pré-campanha; mais ainda, durante a janela partidária!
As falas de Valdemar contra o líder da direita e seus filhos são um convite à debandada de candidatos. Se o objetivo é desgarrar ovelhas, o pastoreio está a contento. Não sou filiado, mas me coloco no lugar dos que são. Me pergunto e pergunto a lideranças do partido o que estaria motivando o ‘fogo amigo’.
Será que Valdemar abilolou? Será que está sendo chantageado? Será que quer perder a eleição? Será que está apenas inebriado pelos holofotes da mídia, será que está caducando ou está jogando algum xadrez 4D para viralizar na redes, furar a bolha bolsonarista e atrair novos filiados?
Não me refiro a platitudes de que há divergências familiares entre os Bolsonaros (quem não sabe?) ou de que Jair deu “força para o Alexandre crescer” (alguém discorda?).
Erros foram cometidos, naturalmente, mas nenhum deles pode ser usado para justificar a perseguição de Moraes contra Bolsonaro e bolsonaristas, a censura aos críticos, a destruição da vida de milhares de pessoas que se indignaram com um ex-presidiário assumindo a Presidência da República com ajuda da cúpula do Judiciário.
Ao culpar Bolsonaro pelo comportamento de Moraes, Valdemar comete uma injustiça e um erro crasso, pois naturaliza as violações constitucionais, o abuso de poder e até as suspeitas de corrupção. Valdemar culpa a vítima pelo crime do agressor, como a mocinha que foi estuprada porque estava de minissaia. Não é errado, é desumano, perverso e hipócrita.
Será que o cacique do PL está se preparando para desembarcar do bolsonarismo que encheu suas arcas de fundos públicos? Que reabilitou o próprio PL (ex-PR) do mensalão, dando-lhe relevância inédita e elegendo a maior bancada do Congresso Nacional?
Valdemar não apenas critica publicamente aquele a quem deve tudo, ou quase tudo, mas ainda reserva elogios aos acólitos de Lula e do PT, que se aliaram a Moraes na perseguição à direita; gente de perfil autoritário que não admite o contrassenso e enxerga em rivais políticos seus inimigos, não poupando esforços para exterminá-los.
Dizer quer Jorge Messias é “um camarada de bem” e “um dos melhores (quadros) que Lula tem” não é ser cortês ou diplomático, mas elogiar o monstro que criou uma inconstitucional Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, usada para perseguir e calar políticos do próprio PL, ativistas e jornalistas!
Valdemar vai além, e diz que não adianta ser contra a indicação de Messias ao STF, porque o governo tem maioria no Senado. Mas isso é admitir antecipadamente a derrota e ainda se aliar ao vencedor.
Sinto dizer isso, mas não há resquício de hombridade nas declarações do presidente do PL, menos ainda de moralidade. Seu caráter parece moldado às circunstâncias, como um slime, uma gelatina, como um político velho e da pior espécie. Ao elogiar petistas e criticar bolsonaristas, Valdemar parece querer dizer que seu maior desafio agora é “descolar do Bozo sem perder o apoio do apoiadores do Bozo”.
E não estou falando do palhaço.
