Nova linha de crédito habitacional deve injetar R$ 80 bilhões em um ano
A Caixa Econômica Federal vai criar um fundo imobiliário com imóveis dos Correios para levantar recursos e melhorar a saúde financeira da estatal. A informação foi dada pelo presidente do banco, Carlos Vieira, que afirmou que a medida complementa a negociação de um empréstimo à empresa, ainda em fase de discussão.
“Os Correios são considerados hoje a marca mais valiosa do Brasil, mais valiosa inclusive do que a própria marca da Caixa. Então por que não investir numa marca tão importante? O que for medida para ajudar os Correios, de geração de receita, podem contar com a Caixa”, disse Vieira em entrevista ao C-Level Entrevista, da Folha.

Segundo o executivo, o fundo permitirá que imóveis operacionais dos Correios sejam transferidos para o mercado, com retorno em forma de aluguel. O modelo, chamado leasing back, consiste em vender o ativo e alugá-lo de volta, gerando liquidez imediata sem interromper as operações.
Vieira afirmou que o plano faz parte de um pacote de medidas de reestruturação da estatal, que inclui revisão de contratos, ajustes logísticos e programas de demissão voluntária. Ele destacou que os Correios possuem mais de R$ 5,5 bilhões em imóveis, o que amplia o potencial da operação.
Paralelamente, o presidente da Caixa anunciou que as novas medidas de crédito habitacional lançadas pelo governo federal devem injetar R$ 80 bilhões nos próximos 12 meses. Os recursos envolvem tanto a compra de imóveis quanto financiamentos para reformas.
De acordo com Vieira, o objetivo é ampliar o alcance das políticas públicas e incluir a classe média, que vinha ficando fora dos programas de habitação. A Caixa calcula que o sistema possa gerar um potencial de crédito adicional de até R$ 1 trilhão em dez anos.
Vieira informou ainda que o programa de reformas habitacionais Reforma Casa Brasil terá R$ 40 bilhões em recursos, sendo R$ 30 bilhões do fundo do pré-sal e R$ 10 bilhões da Caixa. As operações serão digitais e monitoradas por inteligência artificial, com validação das informações por georreferenciamento.
A Caixa também participa das discussões sobre o empréstimo de até R$ 20 bilhões aos Correios, com garantia do Tesouro. A fatia do banco na operação ainda não foi definida.
“Faz parte de um conjunto de medidas, não é só exclusivamente a concessão do crédito”, disse Vieira.
Ele afirmou que a Caixa continuará atuando como indutora do desenvolvimento econômico e que as recentes medidas não têm caráter eleitoral.
