Integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado pediram à Controladoria-Geral da União (CGU) a abertura de auditoria na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por possíveis falhas e omissões na fiscalização das operações do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O pedido foi apresentado pelo presidente da CAE, Renan Calheiros, e pelas senadoras Damares Alves (Republicanos-DF), Soraya Thronicke (Podemos-MT) e Leila Barros (PDT-DF). O grupo se reuniu ontem (25) com o ministro-chefe da CGU, Vinicius Marques.
Um dia antes, na própria CAE, o presidente interino da CVM, João Accioly, classificou as fraudes financeiras identificadas no Master como um “engana que eu gosto”.
Segundo Accioly, havia um “alinhamento perverso” entre gestores e investidores para fraudar balanços e permitir a continuidade da emissão de CDBs, com envio de informações falsas ao Banco Central.
“Tinha um alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores para manter uma ficção contábil. É um engana que eu gosto. Por que que ele gosta de ser enganado? Porque ele coloca, no balanço dele, que ele tem um balanço muito mais robusto e isso permite que ele siga emitindo CDBs. Lá, para o Banco Central, parece que ele tem uma solidez que não tinha”, disse durante audiência.
O dirigente interino afirmou que a CVM detectou movimentações atípicas do Master desde 2022. Segundo ele, a falta de pessoal e de orçamento atrasou a conclusão dos processos de apuração.
“A CVM sabia desde 2022, desde antes até, e não que é não fez nada; ela fez vários processos, está fazendo. Alguns poderiam ser mais rápidos. Realmente, o pessoal trabalha além da capacidade máxima. E aí você vê que tem acúmulo de processos por pessoas e aquilo poderia ser mais rápido se tivesse mais gente. Mas também tem recursos tecnológicos que precisam ser feitos”, alegou Accioly.
Ele ainda classificou o caso Master como “peculiar” e disse que a própria instituição atuou para superdimensionar fundos nos quais investia. “Ainda por cima se deu por meio de fundos exclusivos, que não têm oferta pública”, acrescentou.
