O novo líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), anunciou que pretende pressionar por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master e apoiar um projeto que visa anular as penas de pessoas condenadas pelos atos do 8 de Janeiro de 2023. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
A estratégia faz parte de um movimento da direita bolsonarista para manter pautas polêmicas em evidência no ano eleitoral, com foco na revisão das condenações da trama golpista.
Gilberto destacou que sua bancada é minoritária na Casa, mas acredita que a CPI do Banco Master tem mais chances de avançar do que a proposta que beneficiaria os condenados do 8 de Janeiro.
O projeto em discussão pretende alterar o Código Penal, alegando que os crimes ocorreram por forte emoção, em um efeito de “manada”.
“Vamos defender o projeto. Mas vale lembrar aos amigos da direita que não temos maioria no Congresso Nacional”, afirmou.
O líder da oposição também planeja pressionar pela derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, que trata da redução de penas dos envolvidos na trama golpista. Para ele, essa ação será a “primeira missão” da bancada bolsonarista em 2026.
Paralelamente, o grupo pretende pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) por medidas como prisão domiciliar para os condenados, incluindo Jair Bolsonaro.
Outro ponto da agenda de Gilberto Silva é a criação de uma CPMI sobre o Banco Master e de uma CPI de abuso de autoridade, ambas com foco em ministros do STF. Ele citou contratos milionários envolvendo familiares de ministros e viagens realizadas por integrantes da Suprema Corte como exemplos de supostas irregularidades. Apesar disso, o parlamentar ressaltou que o objetivo não é “comprar briga” com ministros, mas exercer pressão política.
Integrante da chamada “bancada da bala”, Gilberto Silva também criticou a PEC de reforma da segurança pública defendida pelo governo, afirmando que a proposta desconsidera a valorização dos profissionais da área. Segundo ele, a falta de um piso nacional para policiais impede a cobrança efetiva por segurança, apontando desigualdades salariais entre estados.
Outras pautas e cenário eleitoral
O líder da oposição ainda indicou que haverá debates sobre o Projeto Antifacção, cujas mudanças aprovadas pelo Senado, segundo ele, destoam do texto original da Câmara.
Além disso, avaliou outras medidas de interesse do governo, como a MP do Gás do Povo, a regulação de motoristas de aplicativo e o fim da escala 6×1, defendendo análise fiscal cuidadosa antes de qualquer apoio.
Questionado sobre atritos recentes dentro da base bolsonarista, como entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, Gilberto afirmou que divergências são naturais e temporárias. Ele disse ter afinidade com governadores Ratinho Júnior (PSD) e Romeu Zema (Novo) por políticas voltadas à segurança, mas reforçou que seu candidato permanece sendo Flávio Bolsonaro.
“O jogo está zero a zero. Todos vão seguir a orientação do presidente Bolsonaro”, concluiu o parlamentar, resumindo a estratégia da oposição para 2026.
