Governo prepara ofensiva diplomática com Haddad, Vieira e Alckmin em Washington para tentar reverter tarifa de 50% sobre produtos brasileiros
O governo brasileiro segue correndo contra o tempo para tentar o quanto antes começar as negociações com os Estados Unidos para reduzir o tarifaço de 50% sobre produtos nacionais.
A estratégia do Palácio do Planalto é enviar uma espécie de “tropa de choque” a Washington, formada pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio), também vice-presidente da República.
O objetivo é elevar as tratativas ao mais alto nível político e mostrar disposição para fechar um acordo.
A ofensiva diplomática ganhou corpo principalmente depois do encontro entre Lula e Donald Trump, na Malásia, no último domingo.
A conversa entre negociadores dos dois países, realizada na manhã de segunda-feira (noite de domingo no Brasil), não trouxe avanços concretos.
Os Estados Unidos não aceitaram suspender de imediato as tarifas, frustrando a expectativa do governo brasileiro, que esperava um gesto de boa vontade da Casa Branca.

Interesses divergentes
Enquanto o Brasil pressiona por rapidez, Washington mantém um ritmo mais prudente. A equipe de Trump está focada na cúpula da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (APEC), em Seul, e na reunião do presidente americano com o líder chinês Xi Jinping.
O governo brasileiro tenta aproveita “o clima” para incluir na pauta não apenas o comércio, mas também o fim de sanções contra autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes, tema que, segundo fontes, não avançou.
Apesar da falta de resultados práticos, Trump manteve um tom diplomático, o que no entanto, não altera o cenário: enquanto o Brasil busca alívio econômico e reconhecimento internacional, a Casa Branca segue priorizando seus próprios interesses estratégicos.
Na prática, Lula tenta transformar cordialidade em acordo, mas, até agora, é Trump quem define o ritmo da conversa.
