Brasil registra 42,5 mil homicídios em 2024, menor índice em 11 anos
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
Segurança

Brasil registra 42,5 mil homicídios em 2024, menor índice em 11 anos

Atlas da Violência aponta queda de quase 7% nos assassinatos, mas aumento de mortes sem causa definida levanta suspeita de subnotificação

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o equivalente a uma taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Os dados constam na nova edição do Atlas da Violência, divulgada nesta terça-feira (26), e mostram redução de 6,9% nos assassinatos em comparação ao ano anterior. O resultado representa o menor patamar registrado no país nos últimos 11 anos.

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Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estudo atribui a queda a fatores como mudanças demográficas, políticas estaduais de segurança e transformações nas dinâmicas do crime organizado em diferentes regiões do país.

Apesar da melhora nos indicadores oficiais, os pesquisadores fazem um alerta para a deterioração da qualidade dos registros. O levantamento identificou forte crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), categoria usada quando não há definição clara sobre a origem do óbito.

Em um ano, esse tipo de ocorrência aumentou 88,6%, passando de 3.755 para 7.083 registros. Com modelos estatísticos que tentam identificar homicídios não contabilizados oficialmente, os pesquisadores estimam que o número real de assassinatos possa superar 49,6 mil casos em 2024.

A avaliação dos especialistas é que o avanço dessas ocorrências cria um “apagão estatístico”, dificultando o entendimento sobre a dinâmica da criminalidade e comprometendo a formulação de políticas públicas de segurança.

No recorte por estados, a violência permaneceu concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste. O Amapá apresentou a maior taxa do país, com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).

No extremo oposto, São Paulo registrou a menor taxa nacional, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes. Santa Catarina (8,1) e Distrito Federal (10,3) aparecem na sequência entre os melhores indicadores.

O Atlas também reforça que a juventude segue sendo a principal vítima da violência letal. Entre 2014 e 2024, 301.825 jovens de 15 a 29 anos foram assassinados no país — média de aproximadamente 75 mortes por dia ao longo do período. Apenas em 2024, foram registrados 19.801 homicídios nessa faixa etária.

O levantamento ainda mostra que grupos vulneráveis continuam expostos a níveis elevados de violência. Mulheres, pessoas negras, indígenas, idosos, população LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência seguem apresentando indicadores preocupantes, evidenciando desigualdades persistentes no cenário da segurança pública brasileira.

Além da violência letal, o estudo chama atenção para outro dado: as mortes no trânsito. Em 2024, o Brasil contabilizou 37.150 óbitos em acidentes viários, sendo que motocicletas estiveram envolvidas em 41,6% desses casos. Segundo os pesquisadores, o avanço do trabalho por aplicativos e a ampliação do uso da moto como instrumento de renda têm aumentado a exposição ao risco, sobretudo em regiões mais vulneráveis.

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