Brasil é o maior comprador de diesel russo; senador americano fala em sanções - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Brasil é o maior comprador de diesel russo; senador americano fala em sanções

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Por Redação

Senador dos EUA defende tarifas de até 500% para quem apoiar Moscou

Após o embargo da União Europeia ao petróleo russo, o Brasil assumiu posição de destaque nas importações de combustíveis da Rússia. Em 2023, o país ultrapassou a Turquia e se tornou o maior comprador de diesel russo no mundo, superando inclusive os Estados Unidos como principal fornecedor do produto ao mercado brasileiro, segundo levantamento feito pela Financial Times.

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O movimento ocorreu durante o primeiro ano do terceiro mandato de Lula. Segundo dados oficiais, as importações saltaram de 101 mil toneladas em 2022 para 6,1 milhões em 2023 — alta de 6.000%. O valor das compras subiu de US$ 95 milhões para US$ 4,5 bilhões. No mesmo período, a aquisição de óleo combustível russo chegou a US$ 5,3 bilhões.

Com preços mais baixos devido às sanções do Ocidente, a Rússia passou a exportar seus derivados para países como China, Índia e Brasil. Autoridades brasileiras alegam que a movimentação se deu por decisões de mercado, com base em lógica de oferta e demanda. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior afirmou que o comércio foi “influenciado por múltiplos fatores”.

Em dezembro, 85% do diesel importado pelo Brasil teve origem russa. A média do ano ficou em cerca de 50%. O Brasil, embora produtor relevante de petróleo bruto, ainda depende da importação de diesel para suprir aproximadamente 20% da demanda interna.

A Petrobras, controlada pelo governo federal, afirma que tem planos de expandir sua capacidade de refino. Já o ministro de Minas e Energia declarou que o governo “trabalha incansavelmente” para garantir o abastecimento nacional.

O crescimento das importações, porém, elevou o alerta internacional. Neste domingo (13), o senador republicano Lindsey Graham afirmou que o Brasil pode ser alvo de sanções dos EUA por “sustentar a máquina de guerra de Putin”. O parlamenta afirmou que o dinheiro é usado para prolongar a guerra na Ucrânia.

O Congresso americano prepara um pacote de sanções com apoio bipartidário. Segundo Graham, a proposta dará ao presidente autoridade para aplicar tarifas de até 500% a países que colaborem com o regime russo. “Trump teria liberdade para aumentar ou reduzir essas tarifas conforme sua avaliação”, disse.

O senador democrata Richard Blumenthal também defendeu a medida e afirmou que o projeto conta com 85 copatrocinadores. A ideia, segundo ele, é fornecer “uma marreta à disposição do presidente Trump para atacar a economia de Putin e todos os países que a sustentam”.

A tensão acontece em meio a outro embate comercial. Na semana passada, o governo Trump anunciou tarifa de 50% sobre importações brasileiras. Em resposta, o Planalto avalia medidas retaliatórias. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o anúncio deve ocorrer até terça-feira (15).

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou no domingo que “o presidente tem estado muito frustrado com as negociações com o Brasil e também com as ações do Brasil”. Segundo ele, os EUA estão ajustando suas políticas para entrar em uma “era de ouro”, com foco em tarifas, comércio e equilíbrio fiscal.

Apesar da condenação formal à invasão da Ucrânia, Lula vem relativizando a responsabilidade da Rússia no conflito. Em 2023, o presidente afirmou que tanto Kiev quanto Moscou compartilham a culpa pela guerra, e acusou os EUA de “encorajar” a violência. Lula também afirmou que Vladimir Putin seria bem-vindo ao G20 no Brasil, mesmo com mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional — declaração da qual recuou após repercussão negativa.

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