O Benefício de Prestação Continuada (BPC) ultrapassou o Bolsa Família em volume de recursos em 1.167 municípios brasileiros, revela levantamento da CNN, sinalizando uma reconfiguração na assistência social e crescente pressão sobre o orçamento federal. O BPC, gerido pelo INSS, consome mais em cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Campo Grande, Recife e Goiânia.
Dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que o número de beneficiários do BPC cresceu 33% desde meados de 2022, saltando de 4,6 milhões para 6,2 milhões em 31 meses. O aumento decorre de mudanças legislativas, como a permissão de múltiplos benefícios por família desde 2020, o reconhecimento do Transtorno do Espectro Autista como deficiência, o reajuste real do salário-mínimo e a reforma da Previdência, que restringiu aposentadorias.
Com valor fixo de R$ 1.518 (um salário-mínimo), o BPC supera a média de R$ 660 paga por família no Bolsa Família, que atinge 20,5 milhões de pessoas. Em 2023, 492 municípios registravam maior gasto com o BPC; em 2025, esse número mais que dobrou. O Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do ministro Antonio Anastasia, aponta a judicialização de pedidos e o programa de redução de filas do INSS como fatores centrais.
O orçamento de 2025 destina R$ 158,6 bilhões ao Bolsa Família e R$ 112 bilhões ao BPC, mas a disparada do benefício ameaça a sustentabilidade fiscal. Como o governo Lula lidará com essa escalada?
