O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar, nesta quinta-feira (6), sua inelegibilidade e a investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado. Ao desembarcar em Brasília, ele afirmou: “Eu não participar é uma negação à democracia. Só depois de morto eu indico outro candidato. Se tivesse um motivo justo, eu nem estaria falando com vocês aqui, arrumaria uma maneira de fugir por aí, ir embora.”
Em 2023, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) declarou Bolsonaro inelegível por oito anos, sob a acusação de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. O ex-presidente afirmou que há vários partidos aptos a lançar candidatos e que não está impedindo ninguém: “Cada partido que se apresente, lance o candidato, comece a andar pelo Brasil, como eu fiz.”
Questionado sobre uma possível chapa com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o cantor Gusttavo Lima, Bolsonaro não respondeu diretamente, mas não descartou a possibilidade.
“Golpe de Estado na Disney?”
Bolsonaro voltou a ironizar a investigação da Polícia Federal sobre uma tentativa de golpe de Estado. Ele foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e apresentou sua defesa ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira. “Que golpe é esse, em janeiro, em que você não está no Brasil? Eu tramei com o Pateta, com o Pato Donald, com o Mickey Mouse, só pode ser isso aí”, disse, referindo-se à sua estadia em Orlando, nos Estados Unidos.
O ex-presidente responde por crimes como abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa e dano qualificado, cujas penas podem somar até 43 anos de prisão. Ele também ironizou a acusação de que havia um plano para matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes: “Sequestrar alguém e envenenar? ‘Está aqui um copinho de chumbinho’? Está de sacanagem? Coisa infantil.”
Bolsonaro criticou o fato de ser julgado pela 1ª Turma do STF, composta por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin (ex-advogado de Lula), Flávio Dino (ex-ministro de Lula), Luiz Fux e Cármen Lúcia. “Se eu sou tão criminoso assim, por que não seguir o devido processo legal? Meu foro não é esse. Onde o Lula foi julgado? Não foi em Curitiba? 13ª Vara? O meu foro não é esse. Se fosse aqui, é pelo pleno, não é por aquela Turma. O pessoal do 8 de Janeiro está sendo julgado pelo pleno, por que para mim é diferente?”, questionou.
A investigação avança sob a tutela de um STF amplamente alinhado ao governo Lula, enquanto Bolsonaro segue como principal alvo da perseguição política promovida pela esquerda.
