Eu acho engraçado a direita reclamando de Jair Bolsonaro por querer eleger a mulher ou o filho em 2026, uma vez que está inelegível. O sujeito é realmente popular, goste-se ou não. Ele conquistou isso. Dois anos antes de 2018, o ainda deputado federal já rodava o país para se tornar conhecido, soube como poucos usar as redes sociais para consolidar seu patrimônio político e, na disputa pela Presidência, ainda levou uma facada na barriga que quase o matou.
Não estou falando aqui de erros e acertos de sua gestão, mas de poder. Não espere que qualquer pessoa em seu lugar, homem ou mulher, jovem ou velho, abra mão do voto de milhões de brasileiros sem a certeza de uma fidelidade canina, que inclusive lhe garanta a liberdade e sua reabilitação política. Não foi assim com Lula? Mesmo inelegível em 2018, o petista tentou até o fim se candidatar, gastou milhões do fundo eleitoral e, por fim, escolheu um azarão para não correr o risco de ser esquecido na PF em Curitiba (PR).
O PT e a esquerda, aliás, sofrem pela ausência de lideranças porque Lula não deixou que outros nomes ofuscassem seu brilho. Sua pupila Dilma Rousseff, ao traí-lo em 2014, foi lançada às feras num tortuoso processo de impeachment um ano depois; Eduardo Campos, talvez o único a ameaçar seu reinado, morreu num acidente aéreo bizarro; e Marina Silva, que o substituiu, foi difamada pelo PT numa das campanhas mais sórdidas já vistas. Após o calvário, Lula as perdoou para lembrá-las de quem manda.
Hoje, não faltam exemplos na Suprema Corte sobre como funciona esse brutal jogo do poder.
Não esperem, portanto, que Bolsonaro vá entregar o seu quinhão a qualquer um. Se Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Ratinho Júnior ou mesmo Tarcísio de Freitas querem disputar a Presidência como nomes da direita, não esperem ser ungidos. Bolsonaro não confia em vocês e ele precisa desesperadamente de alguém em quem ele possa confiar para lhe conceder o perdão presidencial que o livre, automaticamente, das condenações já impostas pelo STF e outras que ainda virão. E não estou falando aqui de justiça.
Se alguém na direita quer os votos de Jair Bolsonaro, vai precisar mudar a cabeça de seus eleitores. Vai precisar sair às ruas, rodar o país, construir uma potente estratégia de redes. Assim como o poder não se ganha, se toma; popularidade não se herda, se conquista.
