O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira (26) em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Considerado um dos principais nomes do jogo do bicho no estado, ele era alvo de sucessivas operações e acumulava mandados de prisão expedidos pelas Justiças Federal e Estadual.
A ação foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, no âmbito da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), com apoio do Ministério Público Federal. O monitoramento incluiu uso de drones para confirmar a localização do investigado.
Também foi preso o policial militar da ativa Diego D’Arribada Rebello de Lima, lotado na UPP Fazendinha/Alemão, apontado como responsável pela segurança do contraventor.
Segundo a defesa, representada pelo advogado Ricardo Braga, “a prisão ocorreu com toda a tranquilidade, sem qualquer intercorrência”. Ele afirmou ainda que o cliente “continua confiando na Justiça e vai provar sua inocência nos processos que correm”.
Mandados e acusações
Adilsinho tinha ao menos cinco mandados de prisão em aberto. Na esfera federal, é investigado como líder de um esquema de produção e distribuição de cigarros falsificados. Na Justiça do Rio, responde como suposto mandante de homicídios ligados à disputa na contravenção, incluindo rivais do jogo do bicho.
As autoridades apuram ainda possível envolvimento do grupo em pelo menos 27 crimes atribuídos a um esquadrão de extermínio, entre assassinatos consumados e tentativas.
O superintendente da Polícia Federal no Rio, Fábio Galvão, afirmou que a captura foi resultado de “trabalho árduo e muito difícil”, destacando que se tratava da terceira tentativa de prisão. Em vídeo divulgado à imprensa, declarou: “Hoje a gente conseguiu prender o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho”.
O secretário estadual de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que a prisão retira “um grande criminoso de circulação” e ressaltou a troca de informações de inteligência entre as corporações.
Operação Libertatis
A prisão ocorre no desdobramento da Operação Libertatis, iniciada em 2023 para desarticular uma organização criminosa voltada ao comércio ilegal de cigarros, com indícios de tráfico de pessoas, redução à condição análoga à escravidão, sonegação fiscal e crimes contra as relações de consumo.
Na primeira fase, agentes localizaram uma fábrica clandestina em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde trabalhadores paraguaios foram encontrados em situação degradante, submetidos a jornadas exaustivas e restrição de liberdade, segundo a PF. A segunda etapa foi deflagrada em 2025, quando outros investigados foram presos, mas Adilsinho conseguiu escapar.
As investigações apontam que o comércio ilegal de cigarros era uma das principais fontes de financiamento do grupo, além da exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis.
Histórico
O nome de Adilsinho já havia aparecido em operações de grande repercussão, como a Furacão, em 2009, e a Dedo de Deus, em 2011, quando agentes encontraram milhões de reais escondidos em sua residência na Barra da Tijuca.
Além da atuação na contravenção, ele fundou o Clube Atlético Barra da Tijuca e é apontado como patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.
Após a prisão, o contraventor foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal no Rio e deverá ser transferido ao sistema prisional estadual, onde permanecerá à disposição da Justiça.
