BC diz que Master não comprovou aval do FGC em venda ao BRB
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

BC diz que Master não comprovou aval do FGC em venda ao BRB

Banco Central aponta ausência de documento sobre riscos em operação barrada

Edifício do Banco Central. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O contrato de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) apresentado ao Banco Central (BC) previa que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) emitisse manifestação formal atestando a inexistência de riscos futuros. No entanto, nenhum documento comprovando essa condição foi apresentado nos autos do processo, segundo o BC.

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A informação consta em documentos do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgados após decisão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

“A Autarquia relata que solicitou o dimensionamento dessa exposição a riscos e informações sobre possíveis formas de mitigação. Nas respostas, segundo o BCB, o BRB citou cláusula de indenização contratual e retenção de 50% do preço como garantia, além de afirmar que seria obtida manifestação do FGC atestando a inexistência de riscos sucessórios. Contudo, o Banco Central registra expressamente que não foi trazido aos autos do processo qualquer documento nesse sentido”, diz o documento.

A operação foi barrada pelo BC em setembro, após avaliação de riscos ao sistema financeiro.

Segundo os registros, a autoridade monetária pediu informações detalhadas sobre a exposição a riscos e medidas de mitigação. Em resposta, foram citadas cláusulas contratuais e retenção de parte do valor da operação, além da previsão de manifestação do FGC.

“A análise da Autarquia conclui que a dimensão dessa exposição a riscos era relevante e estava muito acima do valor de 50% do preço a ser pago pelo BRB, que seria retido nos anos iniciais, ou seja, não foram apresentadas estratégias de mitigação minimamente suficientes a dar segurança à operação, diante dos mais de R$ 50 bilhões de passivos envolvidos”, destacou o BC.

O Banco Central também registrou que não havia documentação formal que comprovasse as garantias apontadas, deixando a operação sem respaldo considerado adequado.

A instituição enfrentava crise de liquidez e teve a liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025. Antes disso, a venda ao BRB foi cogitada como alternativa para reorganização financeira, mas não avançou diante dos riscos e da falta de garantias.

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