O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17) reduzir a taxa básica de juros de 14,5% para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual promovido pela autoridade monetária, que, apesar da flexibilização, manteve um tom cauteloso sobre o futuro da política monetária.
A decisão foi unânime e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro. Em comunicado, o Copom evitou sinalizar os próximos movimentos da Selic e afirmou que o ritmo e a extensão do ciclo de cortes dependerão da evolução do cenário econômico e das expectativas para a inflação.
O colegiado demonstrou preocupação com a deterioração das projeções inflacionárias e incluiu, pela primeira vez neste ciclo, os riscos fiscais entre os fatores que podem dificultar a convergência da inflação para a meta. Segundo o Banco Central, estímulos ao consumo e à demanda podem reduzir a eficácia da política de juros no controle dos preços.
“O Comitê segue acompanhando com atenção os efeitos da política fiscal sobre os ativos financeiros e sobre a condução da política monetária”, destacou o comunicado.
O BC também apontou que a atividade econômica apresentou recuperação no primeiro trimestre de 2026, enquanto o mercado de trabalho continua mostrando resistência, fatores que tendem a sustentar pressões inflacionárias.
No cenário internacional, o Copom citou a instabilidade no Oriente Médio e as incertezas sobre os desdobramentos do acordo envolvendo Estados Unidos e Irã como elementos que exigem cautela dos países emergentes. A manutenção dos juros americanos pelo Federal Reserve também foi mencionada como parte do ambiente externo desafiador.
As projeções do Banco Central para a inflação voltaram a subir. A estimativa para 2026 passou de 4,6% para 5,2%, enquanto a projeção para 2027 avançou de 3,5% para 3,7%, permanecendo acima da meta contínua de 3%.
O comunicado também indicou uma mudança relevante na estratégia da autoridade monetária. A partir da próxima reunião, prevista para agosto, o horizonte principal de análise passará a ser o primeiro trimestre de 2028, o que abre espaço para uma trajetória mais gradual de redução dos juros nos próximos meses.
Mesmo com o novo corte, a Selic segue em um dos patamares mais elevados dos últimos anos. O Banco Central reforçou que continuará atuando com “serenidade e cautela” diante de um cenário marcado por inflação resistente, expectativas desancoradas e elevado grau de incerteza.
