O ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso admitiu que a Corte vive um “momento difícil” em meio à crise envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Declaração foi feita ontem (10) em entrevista ao programa do jornalista Roberto D’Ávila, da GloboNews.
Segundo Barroso, existe uma “percepção crítica real” sobre o Supremo, mas é necessário aguardar o avanço das investigações do caso Master antes de tirar conclusões. “Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas acho que a gente não deve fazer juízos precipitados”, afirmou.
O magistrado também disse que nunca tinha ouvido falar de Vorcaro antes do caso explodir. Ainda elogiou a condução do caso pelo atual presidente do STF, Edson Fachin, e pelo novo relator do processo na Corte, André Mendonça.
Durante a entrevista, Barroso defendeu a criação de mandatos para ministros do STF. Para ele, o ideal seria um período de 12 anos, inspirado no modelo adotado na Alemanha, em vez da permanência até a aposentadoria compulsória.
Segundo o ministro aposentado, a exposição pública prolongada pode se tornar difícil para os magistrados e suas famílias. “A exposição pública, ao longo do tempo, ela vai se tornando insuportável. Ela é pessoalmente insuportável, mas sobretudo porque afeta muito as pessoas que você gosta”, afirmou.
Barroso também disse ver com simpatia a criação de um código de ética para ministros do STF, embora tenha avaliado que o momento para discutir a proposta pode não ter sido o mais adequado.
Para ele, hoje o tema se trata de “uma demanda da sociedade”: “Não vejo problema em sistematizar isso [ética] em um código”.

