Sobre o impeachment de ministros do STF, ele diz que deve ter base em indícios de crimes graves
O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou nesta sexta-feira (26) que não teme uma eventual maioria conservadora no Senado após as eleições de 2026, mas demonstrou preocupação com o extremismo e a intolerância.
“Eu não tenho nenhum problema com vitórias de conservadores. Tenho problema com o extremismo, com a intolerância, com você querer tirar do jogo quem não gosta”, disse
Barroso, que encerra seu mandato à frente do Supremo na próxima segunda-feira (29) disse que deve ganhar o político que obter mais votos de forma democrática, sendo conservador ou não.
“Quem tiver mais voto, ganha, mas tem que jogar de acordo com as regras do jogo.”
Questionado sobre a possibilidade de o Congresso abrir processo de impeachment contra integrantes do STF, o ministro destacou que o procedimento deve seguir razões fundadas e pode ser barrado pelo Supremo. Ele reforçou que impeachment só deve ocorrer quando houver indícios de crimes graves, como corrupção, respeitando o controle constitucional.
Barroso comenta o legado de sua gestão
Para Barroso, o legado da sua gestão pode ser visto nas medidas implementadas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), como o Exame Nacional da Magistratura, criado para uniformizar o ingresso de novos integrantes do Judiciário.

O ministro relembrou ainda que conduziu o Supremo em meio a um contexto de ataques à institucionalidade, segundo ele, e citou sanções impostas pelos Estados Unidos, que cancelaram vistos de ministros da Corte, entre eles Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
Por fim, o magistrado defendeu que, apesar das divergências políticas, o respeito às regras e à democracia deve ser preservado para garantir a estabilidade das instituições.
