Investigada no STF, auditora aguarda 4h em presídio masculino
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Investigada no STF, auditora aguarda 4h em presídio masculino

Servidora da Receita apontada por acesso a dados da família de Moraes relatou situação “constrangedora”,

Investigada por suposto acesso a dados ligados à esposa de Alexandre de Moraes, servidora pede acesso ao sistema da Receita para apresentar “prova decisiva”
Ministro Alexandre de Moraes. Foto: Victor Piemonte/STF

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Por Redação

A auditora-fiscal da Receita Federal Ruth Machado dos Santos permaneceu por cerca de quatro horas em uma unidade prisional masculina no litoral de São Paulo, na última terça-feira (17), enquanto aguardava a substituição de um equipamento de monitoramento eletrônico. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Ela é investigada por supostamente ter acessado, sem autorização, informações fiscais de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Após prestar depoimento à Polícia Federal por aproximadamente 40 minutos, Ruth foi encaminhada ao Centro de Progressão Provisória (CPP) de São Vicente, destinado ao regime semiaberto masculino, para colocação da tornozeleira eletrônica.

O primeiro aparelho fornecido, segundo a defesa, apresentava apenas 4% de carga na bateria, o que inviabilizaria o deslocamento até o Guarujá, município onde a servidora reside, distante cerca de 44 quilômetros.

Diante da situação, ela e o advogado permaneceram na unidade até que um novo dispositivo fosse providenciado. A defesa classificou o episódio como “degradante” e “constrangedor”, argumentando que a permanência prolongada em estabelecimento prisional masculino expôs a servidora a constrangimento desnecessário.

Medidas cautelares

Por decisão do próprio Moraes, relator do caso no STF, Ruth está proibida de deixar o município do Guarujá, deve cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana, não pode sair do país e está impedida de acessar prédios da Receita Federal enquanto perdurarem as investigações.

Investigação

De acordo com a apuração, o suposto acesso irregular aos dados de Viviane Barci de Moraes teria ocorrido em 21 de agosto de 2025, em uma unidade da Receita Federal no Guarujá. Em depoimento, a servidora afirmou que, naquela data, estava designada para atendimento em outro setor e negou ter realizado qualquer consulta indevida.

Ela também declarou não ter compartilhado senhas ou dispositivos de autenticação com terceiros, embora tenha dito desconhecer se suas credenciais funcionais poderiam ter sido utilizadas por outra pessoa.

Em nota, a defesa sustentou que Ruth “não possui qualquer vínculo político-partidário” e que “não concorreu para a prática de infração penal”. Dois celulares apreendidos durante mandado de busca e apreensão cumprido no mesmo dia estão sob análise pericial da Polícia Federal.

O caso integra um inquérito mais abrangente que investiga possíveis consultas irregulares a dados fiscais de ministros do STF e de familiares. Além de Ruth, outros três servidores públicos foram alvo de medidas da Polícia Federal: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ricardo Mansano de Moraes.

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