Ataque dos EUA ao Irã escancara divisão entre potências na ONU - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Ataque dos EUA ao Irã escancara divisão entre potências na ONU

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

As reações à ofensiva dos Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã expuseram divisões entre os membros do Conselho de Segurança da ONU, reunidos neste domingo (22). O ataque, autorizado pelo presidente Donald Trump, foi classificado por Washington como uma medida para impedir que o regime iraniano adquira armas nucleares.

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A embaixadora dos EUA na ONU, Dorothy Shea, afirmou que o Irã “esconde o programa nuclear” e alertou que “qualquer ataque iraniano será enfrentado com ataques devastadores”. Segundo ela, os Estados Unidos “agirão para proteger seus aliados, seus cidadãos e seus interesses estratégicos”.

Rússia e China condenam operação norte-americana

O embaixador russo, Vassily Nebenzia, acusou os EUA de “usar acusações cínicas” e declarou que Washington “não está interessado em diplomacia”. Segundo ele, os norte-americanos ignoram resoluções da ONU e agem de forma semelhante à que precedeu a Guerra do Iraque, em 2003.

A China, por meio do diplomata Fu Cong, pediu cessar-fogo imediato por parte de Israel e reforçou que a paz no Oriente Médio “não pode ser alcançada pela força”. O representante chinês defendeu a retomada do diálogo diplomático e alertou contra uma escalada militar.

Aliados apoiam ataque e criticam programa nuclear iraniano

A representante do Reino Unido, Barbara Woodward, afirmou que a ação norte-americana buscou conter a ameaça do Irã. Embora tenha defendido a via diplomática, reiterou que “o Irã não deve ter armas nucleares”, considerando a possibilidade um risco à segurança internacional.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, parabenizou a ação americana, classificando-a como uma decisão ousada. O embaixador israelense Danny Danon foi direto ao responsabilizar o regime iraniano: “O objetivo do Irã nunca foi energia pacífica, mas morte e destruição”.

Irã reage e promete resposta

O embaixador iraniano Amir Saeid Iravani afirmou que seu país exercerá o “direito à defesa” e que a resposta será definida pelas forças armadas. Ele negou que o Irã busque armas nucleares e alegou que os bombardeios dos EUA interromperam avanços diplomáticos em curso.

Escalada no Oriente Médio

A operação americana destruiu três instalações nucleares, incluindo a usina de Fordow, com capacidade para processar 3 mil centrífugas de enriquecimento de urânio. Após o ataque, grupos aliados ao Irã, como os Houthis no Iêmen, ameaçaram atingir embarcações dos EUA no Mar Vermelho.

A ofensiva marca novo capítulo na tensão entre Washington e Teerã, com impacto direto nas negociações nucleares e na estabilidade da região.

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