Associação vai à Justiça contra prioridade dos Correios em contratos públicos - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Associação vai à Justiça contra prioridade dos Correios em contratos públicos

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Por Redação

Norma é acusada de ferir competitividade e afetar setor farmacêutico

A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol) ingressou com uma ação judicial para derrubar uma regra do governo Lula que obriga órgãos públicos a dar preferência aos Correios em contratações de serviços postais e logísticos. A entidade acusa a norma, baseada em uma lei de 2023 e regulamentada por decreto em julho do mesmo ano, de ser inconstitucional, ilegal e prejudicial à livre concorrência.

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O processo foi protocolado no fim de junho e pede uma liminar para suspender os efeitos da regra até o julgamento do mérito. Embora a lei esteja em vigor há quase um ano, foi só recentemente que as empresas passaram a sentir os impactos, principalmente com a intensificação de contratações diretas pela estatal.

A princípio, as operações estavam indo bem. Mas, quando começamos a ver iniciativas de contratação direta de forma mais frequente, algumas após o vencimento dos contratos, as empresas começaram a sentir um impacto maior”, afirmou Marcella Cunha diretora-presidente da Abol ao Valor Econômico.

Ela criticou também o fato de os Correios subcontratarem operadores privados após obterem os contratos diretamente.

Faz sentido os Correios terem essa prerrogativa de contratação direta e depois subcontratarem?”.

O setor mais afetado, segundo a associação, é o da logística de medicamentos e insumos de saúde, que exige especialização técnica e equipamentos adequados para o transporte de materiais sensíveis.

Os Correios não têm expertise histórica nessa área”, disse Marcella.

Cerca de 53% dos operadores logísticos do país atuam nesse segmento, e 30% no setor hospitalar, de acordo com dados da Abol.

O pano de fundo do embate é o aprofundamento da crise nos Correios. A estatal registrou prejuízo recorde de R$ 2,6 bilhões em 2024 e mais R$ 1,72 bilhão de déficit só no primeiro trimestre deste ano.

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