Notas de repúdio da esquerda — inclusive, de grupos terroristas — se espalham pelas redes. Mas, felizmente, elas não têm o poder de mudar o destino de Nicolás Maduro, ex-ditador da Venezuela, capturado nesta madrugada pela Força Delta, grupo de elite do Exército americano.
Maduro foi levado inicialmente a Porto Rico e, em breve, deve ser transferido para uma prisão de segurança máxima nos Estados Unidos, onde foi condenado por “conspiração para o narcoterrorismo, importação de cocaína, uso e transporte de armas para fomentar crimes relacionados a drogas”.
Essa mesma esquerda, que inclui Lula, alega que a acusação de que Maduro lidera o Cartel de Los Soles foi apenas uma desculpa esfarrapada para derrubá-lo. No fundo, os EUA estariam interessados no petróleo e outras riquezas minerais venezuelanas. Pode ser, mas uma coisa não exclui a outra.
É fato que quase três décadas da ditadura Chavez-Maduro reduziram a pó as instituições democráticas no país vizinho, esvaziando qualquer capacidade de reação política ou social. Neste tempo, o regime bolivariano reprimiu com violência crescente toda e qualquer manifestação de divergência.
Quem diz que caberia aos venezuelanos derrubar Maduro, despreza a realidade de uma ditadura sanguinária. Relatório mais recente da ONU, publicado após as eleições de 2024, denunciou a escalada fascista em níveis sem precedentes.
Foram registradas milhares de prisões arbitrárias, tortura e assassinados como métodos para Maduro se manter no poder. Designados pelo Conselho de Direitos Humanos, investigadores independentes registraram nos dias posteriores às eleições ao menos 25 mortes por armas de fogo e espancamento.
Mais de 2 mil pessoas foram detidas por protestos contra a fraude eleitoral, incluindo cerca de “100 crianças, algumas com deficiência, acusadas de terrorismo e incitação ao ódio”. Outros 143 presos foram identificados como membros de sete partidos de oposição, incluindo 66 lideranças políticas.
A prática de tortura incluiu estupros, choques elétricos, espancamentos com objetos contundentes, sufocamento com sacos plásticos e privação forçada de sono. Segundo a investigação, de dezembro de 2023 a março de 2024, pelo menos 48 pessoas, como jornalistas e ativistas, foram encarceradas sob alegações de “supostas teorias de conspiração” contra o governo.
Um relatório anterior do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, elaborado por Michelle Bachelet, ex-presidente chilena de esquerda, já denunciava a estratégia de Maduro de “neutralizar, reprimir e criminalizar” opositores políticos e críticos. Mais de 6,8 mil assassinatos políticos foram documentados. somente entre 2018 e 2019.
Diante desse cenário atroz, é ingenuidade ou mau-caratismo dizer que os próprios venezuelanos deveriam se livrar de Maduro sem ajuda externa — eles tentaram! O ataque cirúrgico desta madrugada, com a extração do ditador e de sua mulher, revela-se solução bem mais eficaz que financiar uma guerra civil.
Infelizmente, a prisão de Maduro e o enfraquecimento de seu poder militar não encerra o regime. Entretanto, garante uma janela de reação dentro do próprio governo e de grupos de resistência política, que há muito ansiavam por essa oportunidade. Minha solidariedade aos irmãos venezuelanos.
Urgente: EUA atacam Venezuela; Trump anuncia captura de Maduro
