Assessora jurídica do sindicato admite ter 85 mil procurações de beneficiários para realizar movimentações financeiras
O Programa Alive, apresentado pelo jornalista Cláudio Dantas, mostrou, nesta terça-feira (21), os desdobramentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Destacou falas da assessora jurídica do Sindicato Nacional dos Aposentados e Idosos (Sindnapi), Tonia Galleti. Ela negou que a associação tenha praticado fraudes para arrecadar dinheiro às custas de descontos ilegais em pensões e aposentadorias. “P***, a gente trabalhou”, disse.
Apesar disso, a assessora admitiu ter 85 mil procurações de beneficiários para fazer movimentações financeiras, o que mostra que a entidade agia como uma espécie de indústria, uma fábrica, se tornou quase como um posto do INSS.
A assessora jurídica é filha do fundador da entidade, João Inocentini. Ela depôs à CPMI do INSS nesta segunda-feira (20).
Investigação da Polícia Federal (PF) identificou um aumento significativo de descontos associativos entre 2019 e 2024. O número saltou de 18.190 para 1,4 milhão no período.
“Eu alertei para o fato de que estávamos tendo conhecimento de que diversas entidades estavam atuando de forma inadequada e que era importante isso ser tratado no Conselho”, afirmou Tonia.
Além disso, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator CPI do INSS, apresentou nesta segunda-feira (20) relação de pagamentos feitos pelo Sindnapi a uma mesma família. Segundo dados do relator, parentes de ex-presidente do sindicato receberam R$ 20 milhões num período de cinco anos.
Durante o depoimento de Tonia, a senadora Damares a questionou: “A senhora disse que o sindicato não cometeu crime, mas parece uma imoralidade com tanta gente da família envolvida”. A depoente preferiu não responder aos questionamentos da parlamentar.
Ligado à Força Sindical, o Sindnapi tem como vice-presidente o sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Lula (PT), que vai ser convocado para depor na CPMI.
