ALive: Anistia ampla é “estratégia suicida”? Brasília já virou a página de Bolsonaro?
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

ALive: Anistia ampla é “estratégia suicida”? Brasília já virou a página de Bolsonaro?

ALive: Anistia ampla é “estratégia suicida”? Brasília já virou a página de Bolsonaro?
Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

No programa ALive desta quarta-feira (26), Claudio Dantas e o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) debateram o PL da Anistia. O apresentador questionou se insistir na versão ampla seria uma “estratégia suicida” ou oportunismo eleitoral.

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De acordo com o jornalista, que conversou com diversas lideranças políticas, há disposição de Hugo Motta para avançar com o texto apresentado por Marcelo Crivella, que não trata de uma anistia ampla.

Na avaliação de Dantas, porém, o projeto não deve avançar no Senado. “O Davi, vamos lembrar, está alinhado com o Alexandre de Moraes, inclusive no apoio ao Rodrigo Pacheco, que perdeu na disputa com Jorge Messias para ocupar o STF”, afirmou. “Então, o Davi Alcolumbre não vai pautar a anistia”.

“E aí eu me pergunto: vale a pena insistir numa pauta que não vai prosperar, por mais que vocês [deputados] aprovem na Câmara?”, indagou. “Vocês [deputados] podem lavar as mãos, tipo: ‘nós fizemos o que podíamos’. Assim, vocês, como deputados, vão para a eleição, por exemplo, em 2026, dizendo: ‘nós aprovamos a anistia’. Agora, se a anistia não foi aprovada no Senado, é um problema do Senado”.

“Só que o problema é que nós temos pessoas presas”, observou Dantas. Ele citou o PL da Dosimetria, articulado por Paulinho da Força. Segundo ele, Bolsonaro permaneceria cerca de dois anos e três meses em regime fechado antes de progredir; já condenados do 8 de Janeiro com penas de até 17 anos poderiam deixar a prisão imediatamente. “É o ideal? É o que nós gostaríamos? Não, não é. É o possível agora? Me parece que sim”, comentou.

Em resposta, Bilynskyj destacou que a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como articulador da anistia no Congresso pode viabilizar o avanço da proposta. “Se a gente estivesse trabalhando a anistia só na Câmara, aí a sua leitura estaria completamente correta: ‘Pô, eles vão aprovar um texto lá que depois, no Senado, pode morrer’. Como o Flávio está coordenando, e aqui ele tem, ao mesmo tempo, diálogo com o Motta e com o Alcolumbre, a coordenação dele faz com que não só o texto saia da Câmara da forma como vai ser votado no Senado, mas também com o compromisso de ser votado no Senado”.

Dantas voltou a questionar a viabilidade política dessa articulação. “Mas de que maneira o Flávio vai conseguir convencer um sujeito como o Davi Alcolumbre que nem a União Brasil ele presta conta?”, perguntou. “Davi Alcolumbre só presta conta a ele mesmo”.

Bilynskyj respondeu: “Eu não posso te dizer como, porque, obviamente, ninguém aqui conhece todos os elementos, mas eu acredito que o fato dele estar coordenando, o Flávio estar coordenando a anistia, tanto na Câmara quanto no Senado, mostra que o plano é que ela saia da Câmara pronta para ser votada no Senado com o compromisso”. Dantas retrucou: “Eu não acredito que isso possa acontecer”.

Rei morto, rei posto

Em outro trecho do programa, Dantas afirmou que a classe política em Brasília já se movimenta para ‘virar a página’ de Bolsonaro e atuando sob o lema “rei morto, rei posto”: “O Tarcísio já vem candidato, está todo mundo querendo o Tarcísio candidato. Isso está posto”.

Ainda segundo o jornalista, o cenário discutido nos bastidores envolve aprovar a dosimetria, reduzir a pena de Bolsonaro e, depois, buscar a migração do ex-presidente para a prisão domiciliar humanitária, com posterior progressão ao semiaberto.

“Essa é a realidade. Eu estou reproduzindo exatamente o discurso que está no debate do bastidor dessas lideranças. Não é o desejo meu”, afirmou Dantas.

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