O aiatolá Alireza Arafi, de 66 anos, assumiu ontem (1º) a chefia do conselho interino que passou a conduzir o Irã após a morte de Ali Khamenei em ataques dos EUA e de Israel. Ele divide o comando com o presidente Masoud Pezeshkian e com o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei.
A nomeação ocorre em meio ao processo de sucessão do futuro líder supremo do país. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que a escolha do novo chefe máximo do regime pode ocorrer em “um ou dois dias”.
Em entrevista à Al Jazeera, Araghchi declarou que as instituições iranianas seguem funcionando e que o país “tem procedimentos constitucionais em vigor”.
Trajetória ligada ao alto clero
Arafi é clérigo e jurista xiita. Preside o Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos, integra o Conselho dos Guardiães e ocupa a segunda vice-presidência da Assembleia de Especialistas, órgão responsável por eleger o líder supremo.
Sua carreira foi construída sob influência direta do aiatolá Ali Khamenei. Natural de Meybod, na província de Yazd, ele vem de família clerical. Seu pai, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, é descrito pela mídia estatal como próximo ao fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.
Quando ocorreu a Revolução Islâmica, em 1979, Arafi tinha 21 anos e não integrou a primeira geração de revolucionários. Ganhou projeção após a ascensão de Khamenei ao posto de líder supremo, em 1989.
Atuação internacional e discurso político
Em 2020, Arafi enviou carta ao Papa Francisco em nome da comunidade acadêmica xiita, agradecendo a atenção aos mais vulneráveis durante a pandemia da Covid-19.
À época reitor da Universidade de Qom, defendeu cooperação com instituições católicas e propôs troca de experiências para “criar uma comunidade das religiões ao serviço da humanidade”. Dois anos depois, encontrou-se com o pontífice no Vaticano.
Em fevereiro de 2025, durante cerimônia que marcou o aniversário da Revolução Islâmica, afirmou que o movimento ultrapassou o campo político e redefiniu a base intelectual e cultural da comunidade muçulmana no país.
Também criticou ações militares de Estados Unidos e Israel na Faixa de Gaza, classificando-as como expressão de um “sistema imperialista”.
Agora à frente do conselho interino, Arafi conduz o país até que a Assembleia de Especialistas eleja o novo líder supremo, em meio à maior crise política e militar enfrentada pelo regime nas últimas décadas.
