O preço dos alimentos atingiu o maior valor real em seis décadas, pressionando brasileiros a recorrerem a substitutos como “pó para preparo de bebida à base de café”. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revelam que a escalada, iniciada com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, persiste sem alívio iminente. A guerra desestabilizou exportações de trigo, milho e óleo de girassol, itens dominados por pelos dois países.
O bloqueio de portos ucranianos disparou preços, que, mesmo após a retomada parcial das rotas, seguem elevados. Após um pico em março de 2022, os valores recuaram levemente em 2023, mas voltaram a subir, superando a média histórica, num cenário comparável à crise do petróleo dos anos 1970.
Condições ambientais adversas também agravam a situação. Secas na Espanha, maior produtora de azeite de oliva, elevaram os preços do produto em 2023 e 2024, enquanto cacau e suco de laranja também encareceram. Um estudo do Banco Central Europeu e do Instituto de Potsdam prevê que intempéries podem aumentar a inflação alimentar em até 3,2 pontos percentuais ao ano até 2035.
