Alarmismo climático ferido: revista Nature “despublica” artigo que inflou custo do aquecimento global - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
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Alarmismo climático ferido: revista Nature “despublica” artigo que inflou custo do aquecimento global

Capa da edição da Nature em abril de 2024 deu destaque ao artigo agora retratado. Foto: Reprodução/Springer Nature
Capa da edição da Nature em abril de 2024 deu destaque ao artigo agora retratado. Foto: Reprodução/Springer Nature

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Trinta e oito trilhões de dólares até 2049. Essa era a principal alegação de custo do aquecimento global em um artigo publicado em 17 de abril de 2024 na prestigiosa revista científica Nature.

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Os autores são Maximilian Kotz, Anders Levermann e Leonie Wenz, todos do Instituto Potsdam de Pesquisa do Impacto Climático (Alemanha). “Aqui, usamos descobertas empíricas recentes de mais de 1.600 regiões globais nos últimos 40 anos para projetar danos”, dizia o resumo do artigo.

“Descobrimos que a economia mundial está comprometida com uma redução de renda de 19% dentro dos próximos 26 anos, independentemente de escolhas e emissões futuras”. Só as latitudes muito altas, ou seja, regiões próximas aos polos norte e sul, seriam poupadas, alegaram os cientistas.

O impacto do artigo foi grande: cerca de 300 mil visualizações e 168 citações em outros artigos acadêmicos, de acordo com o serviço Web of Science.

Retratação

Nesta quarta-feira (3), a revista Nature emitiu uma retratação do artigo. Ou seja, está reconhecendo oficialmente que o artigo não tem qualidade e sequer deveria ter sido publicado.

Na nota de retratação, o periódico atribui a decisão aos próprios autores, que notaram, entre outros problemas, que “os resultados eram sensíveis à remoção de um país, o Uzbequistão”, cujos dados econômicos para o período de 1995 a 1999 se mostraram indignos de confiança.

Em julho de 2024, a revista emitiu uma correção. Agora, a nota diz que a totalidade das correções muda tanto o artigo que não há outra saída senão a retratação completa.

É a sexta retratação de artigo emitida pela Nature este ano.

Alarmismo e catastrofismo climáticos

O artigo ia na direção de exagerar o impacto do aquecimento global antropogênico. Uma das alegações é que o produto interno bruto global seria reduzido em 62% até 2100. Isso triplica o impacto estimado em projeções anteriores.

Como colocou o pesquisador Christof Schötz em um comentário publicado em agosto de 2025 pela própria Nature, o artigo “subestima a incerteza”.

Essa é uma das principais críticas à suposta base científica do muito político catastrofismo climático que tomou conta da imprensa e de parte da própria pesquisa nos últimos anos. É um dos principais pontos da climatologista Judith Curry, que deixou a academia depois de uma brilhante carreira, em seu livro “Incerteza climática e risco: repensando nossa resposta” (trad. livre, Anthem Press, 2023).

Para Matt Ridley, biólogo e autor britânico, “artigos como esse, que exageram projeções de modelos dos custos climáticos, têm sempre mais chance de ser publicados do que artigos que minimizem o alarme”.

“Este é o problema central”, continuou Ridley, no X. “O viés na direção do pessimismo climático é generalizado”.

Tristes vieses

A imprensa é famosa por seu viés de negatividade no inusitado: notícia é quando o homem morde o cachorro. A ciência deveria ser diferente. Mas a triste realidade é que aquilo que se pauta em pesquisa é influenciado por vieses humanos e políticos.

Isso não é necessariamente uma influência sinistra. Quando eu pesquisava em Cambridge três bactérias que parasitam a reprodução dos artrópodes, por exemplo, e juntei uma planilha de 11 mil amostras de populações testadas para a presença dessas bactérias, notei muito rápido que havia uma enorme preferência na literatura científica pelo teste de carrapatos e pulgas.

Havia nisso interesse médico e econômico, por causa do custo desses parasitas à saúde de animais de criação, pets e humanos. Por mais que eu achasse outros temas mais interessantes, os interesses que pagavam pela pesquisa não tinham obrigação de concordar comigo.

No caso da ciência climática, como dizem Curry e outros que reconhecem a existência do aquecimento, mas rejeitam o grande erro do alarmismo, produzir resultados de arrepiar é um incentivo que atrai mais verbas de governos.

Observe que o instituto de pesquisa dos autores já diz no título que foi criado para estudar o “impacto climático”. É muito difícil ter independência e isenção quando o seu ganha-pão depende de fazer o contrário.

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