Interlocutores do governo do Distrito Federal relatam que, com a possível saída de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar o Senado, aliados já se preparam para uma disputa interna e avaliam a circulação de informações para enfraquecer a vice-governadora Celina Leão (PP). Segundo fonte do governo, a estratégia seria acionada no momento em que Ibaneis se afastar formalmente do cargo.
O movimento ocorre em meio ao desgaste do governador após o caso envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Aliados avaliam que o cenário compromete tanto a eventual candidatura de Ibaneis ao Senado quanto a viabilidade eleitoral de Celina ao Palácio do Buriti, da qual o governador é o principal fiador político.
Diante desse quadro, uma ala do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) passou a defender a construção de um nome alternativo para a disputa ao governo do DF. O nome citado é o do deputado federal Rafael Prudente (MDB-DF), segundo apuração do Estadão.
Segundo aliados, Prudente teria maior capacidade de diálogo com setores de centro e da esquerda em um eventual segundo turno, especialmente se o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) entrar na disputa.
Apesar das especulações, Ibaneis reafirmou nesta terça-feira (27) sua pré-candidatura ao Senado, após circularem informações de que poderia desistir. Celina Leão também mantém publicamente sua intenção de concorrer ao governo, o que tende a ampliar a disputa interna pela sucessão no DF.
O reposicionamento político ocorre em meio às repercussões do escândalo envolvendo a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. Ibaneis foi apontado como um dos principais fiadores das operações entre os bancos.
A oposição acionou a Câmara Legislativa do Distrito Federal e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador. Partidos como PSOL, PSB e Cidadania chegaram a protocolar pedidos de impeachment.
Em depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter tratado pessoalmente com Ibaneis da venda da instituição ao BRB. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil em novembro, após a identificação de um rombo bilionário.
Histórico familiar de Prudente
O nome de Rafael Prudente também remete a episódios do passado político do DF. Seu pai, Leonardo Prudente, foi investigado pela Polícia Federal na Operação Caixa de Pandora. À época, vídeos mostraram o então presidente da Câmara Legislativa do DF recebendo dinheiro de Durval Barbosa, ex-presidente da Codeplan.

As imagens, supostamente gravadas em 2006, integraram a investigação de um esquema de pagamento de propina a parlamentares da base aliada do então governador José Roberto Arruda. A Polícia Federal realizou perícias para verificar a autenticidade do material.
