O deputado federal Rodrigo Rollemberg afirmou que uma Comissão Parlamentar de Inquérito pode autorizar a quebra do sigilo telefônico e telemático do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Rollemberg protocolou nesta segunda-feira (2) o pedido de instalação de uma CPI para investigar suspeitas de fraudes envolvendo o banco. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil.
“A Comissão Parlamentar de Inquérito tem poderes de polícia. Então, ela pode quebrar o sigilo telefônico e telemático e abrir para mostrar quem está no telefone do Vorcaro”, disse o parlamentar.
Segundo ele, a investigação deve apurar se houve interferência política e pressão de parlamentares para que o Banco de Brasília (BRB) adquirisse o Banco Master. “Isso tudo precisa ser esclarecido e é fundamental, para isso, a quebra de sigilo telefônico de Vorcaro”, afirmou.
Outros alvos
O deputado também defendeu a quebra de sigilo telefônico do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
Vorcaro relatou à Polícia Federal que se reuniu mais de uma vez com Ibaneis, inclusive em encontro realizado na residência do governador. Após a citação, partidos apresentaram pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo do DF.
No caso do Rio de Janeiro, a menção envolve investigações da Polícia Federal sobre o Rioprevidência. Segundo apurações, o fundo continuou aplicando recursos em ativos ligados ao Banco Master mesmo após alerta do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro sobre os riscos.
Tramitação da CPI
Apesar do protocolo do requerimento, a abertura da CPI enfrenta obstáculos. Há uma fila de pedidos aguardando análise na Câmara dos Deputados. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre avalia que não é o momento de instalar uma CPMI sobre o caso.
Contexto
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, citando grave crise de liquidez e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. A medida foi acompanhada da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura a emissão de títulos de crédito falsos. Vorcaro foi preso um dia antes da decisão do BC.
