Relatório da Alerj aponta que decreto de Castro abriu caminho para expansão do Master no RJ
Brasília, Segunda, 08 de junho de 2026
Política

Relatório da Alerj aponta que decreto de Castro abriu caminho para expansão do Master no RJ

Estudo elaborado por comissão da Assembleia sustenta que mudanças nas regras do consignado favoreceram a oferta do Credcesta a servidores estaduais

Cláudio Castro pede cautela no caso Bacellar, defende ampla defesa e nega relação entre exonerações e operação da PF no Rio
Foto: Rafael Campo/Gov.RJ

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Por Redação

Um relatório produzido pela Comissão de Servidores Públicos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) concluiu que alterações promovidas pelo governo estadual em 2021 facilitaram a expansão do Banco Master no mercado de crédito consignado fluminense. O documento, elaborado sob coordenação do deputado estadual Flávio Serafini (Psol), aponta que um decreto assinado pelo então governador Cláudio Castro modificou as regras do setor e permitiu a entrada do cartão de benefícios Credcesta entre servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado.

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Segundo o levantamento, a norma editada em maio de 2021 ampliou as possibilidades de credenciamento de empresas para atuar no segmento, passando a admitir administradoras de cartão de crédito e entidades financeiras que não possuíam autorização direta de funcionamento junto ao Banco Central. Poucos dias após a publicação do decreto, a operadora PKL One recebeu autorização para oferecer o Credcesta ao funcionalismo estadual.

O relatório sustenta que o mercado de crédito consignado foi a principal porta de entrada do Banco Master no Rio de Janeiro e desempenhou papel relevante na consolidação da instituição no estado. À época da liquidação do banco, em novembro do ano passado, sua carteira de consignados no Rio somava R$ 5,5 bilhões distribuídos em cerca de 156 mil contratos, ocupando a segunda colocação no mercado estadual.

De acordo com o estudo, as mudanças regulatórias também ampliaram o percentual da renda dos servidores que poderia ser comprometido com descontos em folha. O decreto criou uma margem específica de 20% para utilização do cartão de benefícios, além de permitir seu uso para aquisição de produtos e serviços no comércio convencional. Somada aos limites já existentes para empréstimos e cartões consignados, a alteração elevou significativamente a capacidade de endividamento dos beneficiários.

O documento afirma ainda que, meses depois, uma nova mudança normativa ampliou novamente a margem consignável dos servidores, mantendo o espaço reservado ao Credcesta. Para os autores do relatório, as medidas contribuíram para expandir o mercado potencial explorado pelo produto financeiro.

Outro ponto destacado é que o decreto também passou a permitir a contratação de operações consignadas por telefone e aplicativos de mensagens. Na avaliação da comissão, a flexibilização abriu espaço para abordagens comerciais menos transparentes e aumentou os riscos para servidores e pensionistas.

O relatório relaciona a expansão do Credcesta ao fortalecimento financeiro do Banco Master nos anos seguintes. Segundo o documento, a carteira de crédito consignado teria contribuído para ampliar a liquidez da instituição e sustentado parte de sua estratégia de captação de recursos.

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As conclusões da comissão embasam uma proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a expansão do Credcesta e seus impactos no estado. O pedido já reuniu o número necessário de assinaturas, mas ainda não foi instalado pela Assembleia.

Em resposta às conclusões do relatório, a defesa de Cláudio Castro negou qualquer favorecimento ao Banco Master ou a empresas ligadas ao grupo. Em nota, afirmou que “não houve favorecimento, direcionamento ou criação de regras sob medida” e sustentou que todos os procedimentos administrativos seguiram a legislação vigente.

A defesa também argumentou que o Banco Master já atuava no sistema estadual de consignações por meio de sua antecessora, o Banco Máxima, e que o processo realizado em 2021 correspondeu apenas a um recadastramento decorrente da mudança de razão social da instituição. Segundo os advogados do ex-governador, o credenciamento da PKL One observou todas as exigências normativas e não houve exclusividade para a operação do Credcesta.

Os representantes de Castro acrescentaram que medidas de controle foram adotadas posteriormente pelo próprio governo estadual, incluindo ações judiciais relacionadas às operações do Credcesta e iniciativas para resguardar recursos vinculados ao Rioprevidência. A defesa concluiu afirmando que todos os atos administrativos praticados durante a gestão seguiram os procedimentos legais e ocorreram “sem qualquer interferência indevida do ex-governador”.

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