Fala de vice no evento Pré-COP 30 mostra riscos na Agenda 2030 da Onu
Geraldo Alckmin, cobrou “comprometimento” da comunidade internacional com ações efetivas contra as mudanças climáticas, durante a Pré-COP 30.
O evento ocorreu nesta segunda-feira (13), em Brasília e, é o último encontro preparatório antes da Conferência do Clima (COP 30), marcada para novembro, em Belém (PA).

O vice-presidente abriu o discurso lembrando a mensagem do Papa Francisco na encíclica Laudato Si, que fala sobre a interligação entre meio ambiente, sociedade e ética. Segundo ele, o desafio climático exige mais do que declarações simbólicas: “requer atitudes concretas e cooperação real entre os países.”
Diretrizes e críticas à Agenda 2030
É importante reconhecer que a COP-30 está diretamente ligada à Agenda 2030 da ONU, um plano global que, sob o discurso do “desenvolvimento sustentável”, traz princípios e diretrizes de caráter ideológico que vão contra os valores da fé cristã.
A Agenda 2030, embora disfarçada de preocupação humanitária, opera sob o princípio da governança tecnocrática global, marginalizando os ensinamentos da Igreja em nome de uma moral global substitutiva.
“O que a gente quer na COP é um momento de atração de investimentos para o Brasil. A gente tem uma COP, o mundo inteiro vem para cá. Então, a gente quer que seja um momento aonde haja certezas de regulação, que mostre que o Brasil é sólido nas suas regulamentações e não fica ali mudando. O sinal que foi dado com o licenciamento ali, no Senado, infelizmente, pode ser um sinal oposto, de que sim, se isso passar, vai causar incertezas legais e pode judicializar muita coisa. Então, não é o sinal que a gente precisa para uma COP“, afirmou CEO da COP-30 e ex-secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ana Toni.
Outra mensagem preocupante em um contexto de COP, na avaliação de ambientalistas, é a perspectiva de avanço em estudos para a exploração de petróleo na Margem Equatorial, próximo do Amapá, e na foz do rio Amazonas.

Para a CEO da COP-30, o debate sobre apostas em combustíveis fósseis não pode ser isolado ao contexto do Brasil.
Alckmin apresentou as três metas centrais da presidência brasileira da COP-30: reforçar o multilateralismo climático, aproximar a agenda ambiental da vida cotidiana das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris, com foco nas metas nacionais de redução de emissões, as chamadas NDCs.
Destacou que o Brasil se comprometeu a cortar de 59% a 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, em relação a 2005. O plano, segundo ele, é “ousado, mas realista”, e combina crescimento econômico com sustentabilidade, reforçando a visão de que o país pode crescer sem abrir mão da proteção ambiental.
“O Brasil tem papel fundamental nas três grandes questões deste século: segurança alimentar, segurança energética e combate às mudanças climáticas”, disse.
Alckmin ressaltou que o Brasil está na frente da transição energética global, com leis e programas que já produzem resultados. “Enquanto o mundo ainda debate caminhos, nós já temos resultados concretos, legislação moderna e governança integrada”, disse.
Encerrando o discurso, o vice-presidente citou o filósofo Hans Jonas para defender o “princípio da responsabilidade”, destacando que a ética deve estar presente nas decisões políticas, econômicas e ambientais.
“Precisamos garantir que o progresso, seja científico, econômico ou tecnológico e que nunca aconteça às custas do clima, da natureza ou da dignidade humana”, afirmou.
Com tom de cobrança à comunidade internacional, Alckmin reforçou que o Brasil fará a sua parte, mas espera “reciprocidade e compromisso concreto” das demais nações no enfrentamento da crise climática.
