Israel e Irã divergem sobre danos em principal usina de enriquecimento de urânio
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, expressou nesta segunda-feira (16) preocupação com a segurança nuclear após os ataques realizados por Israel contra instalações do programa nuclear iraniano, especialmente a central de Natanz. O alerta acontece em meio ao aumento na tensão entre os dois países e à incerteza sobre os reais danos provocados na infraestrutura atômica iraniana.
Durante uma reunião extraordinária em Viena, Grossi afirmou que a situação lembra o cenário da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando a usina nuclear de Zaporíjia ficou ameaçada por combates.
“Pela segunda vez em três anos, estamos testemunhando um conflito dramático entre dois Estados-membros da AIEA, no qual instalações nucleares estão sendo atacadas e a segurança nuclear está sendo comprometida”, disse ele.
De acordo com a avaliação preliminar da agência, a usina de Bushehr e a central fortificada de Fordow não foram afetadas. Já em Natanz, localizada a 220 km de Teerã e considerada o principal centro de enriquecimento de urânio do país, um componente localizado na superfície foi destruído. As áreas subterrâneas, onde ficam as centrífugas de enriquecimento, não teriam sido diretamente atingidas, embora uma queda de energia possa ter comprometido parte dos equipamentos.
A avaliação da AIEA difere da narrativa israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou no domingo que a instalação havia sido destruída, enquanto fontes de segurança ouvidas pelo jornal Haaretz alegam que os danos subterrâneos em Natanz foram significativos. Mesmo assim, a AIEA não identificou alteração nos níveis de radioatividade fora da planta, indicando que não houve vazamento radiológico externo.
Grossi ressaltou, porém, que o risco ainda existe dentro da instalação.
“Pode haver um vazamento químico ou radiológico perigoso para quem estiver no local, caso ocorra inalação ou ingestão”, alertou.
Ele também reforçou que instalações nucleares “nunca devem ser atacadas” e voltou a pedir contenção imediata por parte de Israel e Irã.
O governo israelense justificou a ofensiva como um “ataque preventivo”, alegando que o Irã busca desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega, afirmando que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos. Natanz é fundamental nesse contexto, com capacidade de enriquecer urânio a 60%, nível muito superior ao necessário para fins civis, embora ainda abaixo do grau armamentista (90%).
