Martin de Luca afirma que correspondência com Bolsonaro é rotina profissional
O advogado norte-americano Martin de Luca, da Trump Media e Rumble, afirma ser alvo da Polícia Federal por “se levantar” contra o ministro Alexandre de Moraes.
“Continuarei realizando meu trabalho de forma transparente e profissional, sem medo. A verdadeira responsabilização de Moraes não virá por meio de relatórios policiais, mas sim nos tribunais dos Estados Unidos — onde ainda o aguardamos.”
O relatório da PF registra mensagens e orientações de De Luca a Jair Bolsonaro, antes de notas públicas e documentos relacionados a processos nos EUA contra Moraes. Segundo a PF, os diálogos indicariam suposta subordinação do ex-presidente a interesses estrangeiros.
De Luca nega e afirma que suas ações são rotineiras na prática jurídica:
“Regularmente ofereço sugestões sobre a redação de uma breve nota pública ou encaminho um documento judicial público. Ainda assim, esses atos rotineiros agora são distorcidos e apresentados como teorias conspiratórias.”
O relatório aponta que De Luca enviou ao ex-presidente petições e orientações de comunicação sobre ações judiciais contra Moraes e participou da organização de entrevistas e notas públicas.
Até agora, não há desdobramentos judiciais contra De Luca no Brasil. O caso amplia o embate entre plataformas digitais, aliados do bolsonarismo e decisões do ministro do STF, com repercussão em Brasília e Washington.
Leia a íntegra da nota de Martin de Luca:
“Nesta noite, passo a integrar um clube exclusivo de americanos que foram alvo por se levantarem contra Alexandre de Moraes.
A tentativa da própria Polícia Federal de Moraes de retratar correspondências profissionais rotineiras como prova de uma suposta “subordinação estrangeira” é apenas a mais recente manobra desesperada para mantê-lo de pé.
Como advogado americano, presto regularmente orientação jurídica e de comunicação. Esse é o meu trabalho. Oferecer sugestões sobre a redação de uma breve nota pública ou encaminhar um documento judicial público é absolutamente comum. Ainda assim, esses atos rotineiros agora são distorcidos e apresentados como teorias conspiratórias.
Seguindo essa lógica, qualquer líder político que consulte um advogado, redator de discursos ou estrategista estaria conspirando para derrubar a democracia.
A mensagem é inconfundível. Qualquer um que ouse criticar ou expor a incansável campanha de censura de Moraes será alvo — seja você advogado, cidadão americano ou alguém que fala livremente em solo dos Estados Unidos. Ou as três coisas ao mesmo tempo.
A liberdade de expressão não é concedida pelos governos; ela é inerente a cada pessoa. Como advertiu Benjamin Franklin: “Quem quiser derrubar a liberdade de uma nação deve começar por subjugar a liberdade de expressão.
Continuarei realizando meu trabalho de forma transparente e profissional, sem medo. A verdadeira responsabilização de Moraes não virá por meio de relatórios policiais, mas sim nos tribunais dos Estados Unidos — onde ainda o aguardamos.”
