Acordo enterra PL da misoginia na Câmara - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Acordo enterra PL da misoginia na Câmara

Líderes decidem adiar análise do projeto para depois das eleições

Deputados da oposição comemoram aprovação do projeto. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Deputados da oposição comemoram aprovação do projeto. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o projeto conhecido como “PL da misoginia” não deve avançar na Câmara neste ano.

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Segundo ele, a decisão foi tomada em reunião de líderes e prevê que a proposta não entre em pauta até o período eleitoral.

“Hoje, na reunião de líderes, ficou decidido que o PL da misoginia não vai entrar esse ano, até pelo menos a época das eleições”, disse.

A proposta foi aprovada pelo Senado em março e aguarda análise da Câmara. O texto inclui a misoginia na Lei do Racismo e prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que o tema não será pautado antes das eleições.

Nos bastidores, a decisão ocorreu após acordo entre líderes partidários. O conteúdo do entendimento não foi detalhado.

Parlamentares contrários ao texto apontaram críticas ao alcance da proposta.

Nikolas Ferreira afirmou que a medida pode ser usada para restringir manifestações.

“Essa lei […] é um instrumento extremamente subjetivo para poder silenciar as outras pessoas”, disse.

Ele também questionou possíveis interpretações da norma:

“Rebaixar mulheres ao termo ‘pessoas que gestam’ também seria considerado misoginia?”

Com a decisão, o projeto permanece fora da pauta, sem previsão de votação antes das eleições.

O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) também comentou a decisão e afirmou que o projeto não deve avançar.

“[…] não poderia levar adiante mais uma censura, um projeto de lei para censurar o povo brasileiro”, disse.

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