Senado pedirá revisão das cautelares contra Do Val, e Moraes deve acatar
Um grupo de senadores liderado por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) fechou um acordo com os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso para encerrar a crise entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). O impasse teve início com a decisão de Moraes que impôs tornozeleira eletrônica ao senador Marcos do Val (Podemos-ES).
Segundo fontes, o Senado apresentará pedido de revisão das cautelares contra Do Val, e Moraes deve aceitar, informou o jornal O Globo. Em troca, a mesa diretora da Casa suspenderá futuramente o mandato do parlamentar com base na divulgação de documentos sigilosos da Abin sobre os atos de 8 de janeiro. O Conselho de Ética prevê punição para quem vazar informações que deveriam permanecer secretas.
A negociação aconteceu na noite de terça-feira (5) na casa do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, em Brasília. Participaram também os senadores Eduardo Braga, Omar Aziz, Renan Calheiros, Cid Gomes e Weverton Rocha.
No encontro, os parlamentares alertaram Moraes que suas medidas poderiam ser derrubadas pelo plenário, como ocorreu em 2017 no caso do afastamento de Aécio Neves.
O clima no Congresso, inflado pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, indicava derrota expressiva do ministro, com cerca de 50 assinaturas para derrubar as cautelares. Parlamentares bolsonaristas já haviam reunido 39 das 41 assinaturas necessárias para um pedido de impeachment contra Moraes e ocupavam os plenários em protesto.
Para evitar um desgaste maior, Moraes e os demais ministros aceitaram a proposta de Alcolumbre. A avaliação do grupo é que Do Val, além de divulgar documentos secretos, acumulava antecedentes que justificariam sua cassação.
O senador admitiu portar armas e revelou um plano de grampear Moraes em 2022, supostamente articulado com Daniel Silveira e Jair Bolsonaro após a derrota eleitoral do ex-presidente.
