PGR pede condenação de Eduardo por suposta coação
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Justiça

PGR pede condenação de Eduardo por suposta coação

Gonet aponta tentativa de constranger ministros do Supremo Tribunal Federal

Eduardo Bolsonaro ironiza menção de Tarcísio de Freitas como pré-candidato à Presidência em ranking de relevância nas redes sociais.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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Por Redação

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu ontem (11) no Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo suposto crime de coação no curso do processo.

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De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Eduardo articulou com autoridades dos EUA sanções contra o Brasil e ministros do STF com o objetivo de garantir a “impunidade” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no caso da suposta “trama golpista”.

Após o parecer da PGR, Alexandre de Moraes, relator do caso, determinou manifestação da Defensoria Pública da União (DPU), responsável pela defesa do ex-parlamentar.

“Sob o pretexto retórico de salvaguardar a ‘liberdade’ dos cidadãos brasileiros, o réu buscava, em última análise, assegurar a impunidade de seu genitor e do codenunciado, deturpando garantias fundamentais para blindar condutas criminosas de terceiros”, afirmou Gonet ao Supremo.

Segundo a PGR, Eduardo utilizou influência junto ao governo Trump para promover “sucessivas e continuadas ações voltadas à interferência” no julgamento de Jair. O órgão sustenta que o ex-deputado antecipou publicamente medidas adotadas pelos EUA e teria se “vangloriado” da rede de contatos internacionais para “constranger” integrantes do Judiciário brasileiro.

Entre os elementos citados pela PGR estão tarifas de 50% sobre exportações brasileiras anunciadas por Trump em julho de 2025, suspensão de vistos de autoridades e a inclusão de Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky.

Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia e tornou Eduardo réu. O ex-deputado está nos EUA há mais de um ano após se exilar. Em dezembro do ano passado, a Mesa Diretora da Câmara cassou o mandato dele por excesso de faltas.

A PGR afirma ainda que as ações de Eduardo provocaram “prejuízos concretos” à economia brasileira. Para Gonet, o ex-parlamentar demonstrou descaso com o “esfrangalhar da situação econômica brasileira” ao priorizar a tentativa de livrar Jair.

“O objetivo sempre foi o de sobrepor os interesses da família Bolsonaro às normas do devido processo legal e do bom ordenamento da Justiça”, declarou o procurador-geral. A PGR também pede a fixação de valor mínimo para reparação de danos.

A defesa de Eduardo sustenta que as condutas atribuídas a ele estão protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar. A PGR rebateu os argumentos, afirmando que a prerrogativa constitucional não pode servir de “escudo para a impunidade” nem de “salvo-conduto para a prática de crimes”.

Durante o processo, a DPU defendeu que Moraes deveria se declarar impedido de atuar no caso, sob o argumento de que as condutas narradas na denúncia teriam sido direcionadas ao próprio ministro.

Em outubro de 2025, o defensor público federal Antonio Ezequiel Inácio Barbosa pediu a rejeição da denúncia apresentada pela PGR. A defesa também questionou a validade da notificação por edital e sustentou que a legislação exige citação por carta rogatória.

A defesa afirma que a denúncia não descreve atos de violência ou grave ameaça, limitando-se a manifestações públicas sobre articulações políticas e possíveis sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Brasil.

A DPU argumenta que críticas a autoridades e debates sobre política externa fazem parte do exercício da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição.

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