Entidade pede inelegibilidade de Flávio após culto com Malafaia
Brasília, Segunda, 22 de junho de 2026
Justiça

Entidade pede inelegibilidade de Flávio após culto com Malafaia

Representação aponta uso de evento religioso como espaço para promoção política e propaganda antecipada

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aliados se ajoelharam no palco da igreja localizada na zona norte do Rio, em culto na manhã deste domingo (3) - (crédito: Reprodução/YouTube)
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aliados se ajoelharam no palco da igreja localizada na zona norte do Rio, em culto na manhã deste domingo (3) - (crédito: Reprodução/YouTube)

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Associação Movimento Brasil Laico protocolou hoje (4) uma representação eleitoral junto à Procuradoria Regional Eleitoral do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro pedindo a aplicação de sanções ao pastor Silas Malafaia, à Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) e a cinco pré-candidatos, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após culto realizado no domingo (3), na Penha, Zona Norte do Rio.

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Segundo o documento, o pastor teria promovido manifestações de conteúdo político-partidário durante o culto e conduzido uma oração coletiva em favor dos políticos presentes. A entidade afirma que o evento configurou propaganda eleitoral antecipada em bem de uso comum, além de possível abuso de poder religioso.

De acordo com a representação, Malafaia declarou que “é o tempo de apoiar o Flávio para presidente” e teria incentivado diretamente a pré-candidatura durante a cerimônia. O culto também foi precedido por um encontro privado entre o pastor e os pré-candidatos.

A entidade cita o artigo 37, § 4º, da Lei das Eleições, que considera templos religiosos como bens de uso comum, vedando propaganda eleitoral em seu interior. O documento também menciona o artigo 24, inciso VIII, que proíbe doações por entidades religiosas, incluindo apoio estimável em dinheiro ou publicidade.

Além das multas, o Movimento Brasil Laico pede a inelegibilidade por oito anos de Malafaia, Flávio Bolsonaro e dos demais envolvidos, além de multa de até R$ 25 mil por propaganda antecipada.

A representação solicita ainda que o Ministério Público Federal oficie a Receita Federal para apurar eventual desvio de finalidade da ADVEC, que possui imunidade tributária, e que sejam preservados os registros em vídeo do culto.

Em um dos trechos, o documento afirma: “A liberdade religiosa protege a liturgia, o rito e a espiritualidade — não a fraude à lei eleitoral praticada sob o manto de uma oração. O fiel que vai ao culto para exercer sua fé não pode ser transformado em plateia cativa de campanha política.”

Também foram citados na ação Douglas Ruas (PL-RJ), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Cláudio Castro (PL-RJ) e Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que participaram do evento.

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