Urgente: Congresso derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Política

Urgente: Congresso derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria

Em sessão conjunta, deputados e senadores reverteram decisão presidencial e retomaram pontos do projeto que altera cálculo de penas

Na tramitação original, o texto havia sido aprovado com ampla margem. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (30), após mais de cinco horas de sessão, o veto do presidente Lula (PT) ao Projeto de Lei 2.162/2023, conhecido como PL da Dosimetria. O texto redefine critérios para o cálculo de penas e pode impactar diretamente condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

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A votação, realizada em sessão conjunta, registrou 144 votos favoráveis e 318 contrários à manutenção do veto entre deputados. Já entre os senadores, foram 24 favoráveis a derrubada e 49 contrários.

Na orientação das bancadas da Câmara, o governo orientou voto pela manutenção do veto, assim como a federação PT-PCdoB-PV, a federação PSOL-Rede, e a Maioria. Já o PL, o bloco UniPpPsd, o bloco Avante/Solidariedade/PRD, o Novo, a Minoria e a Oposição orientaram pela derrubada.

No Senado, a orientação ficou da seguinte forma: O governo orientou voto pela manutenção do veto, enquanto a Oposição e a Minoria recomendaram a derrubada. Entre os partidos, PL, PP, Republicanos, União Brasil, Podemos, PSDB, PDT, Avante e Novo orientaram pela derrubada do veto. Já o PT e o governo defenderam a manutenção. PSD e MDB, por sua vez, optaram por bancada liberada, sem orientação de voto.

Para a rejeição do veto, era necessária maioria absoluta em cada Casa: ao menos 41 votos no Senado e 257 na Câmara.

Na tramitação original, o texto já havia sido aprovado com ampla margem: 291 votos favoráveis e 148 contrários na Câmara, além de 48 votos a 25 no Senado.

Com a decisão do Parlamento, dispositivos antes barrados pelo Palácio do Planalto voltam a valer. Na prática, a medida pode alterar o tempo de cumprimento de pena e flexibilizar regras de progressão de regime para diferentes categorias de crimes.

Fatiamento

Conforme antecipado pelo Portal Claudio Dantas, durante a sessão, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), adotou uma medida que mudou o rumo da análise ao retirar da votação trechos do projeto que tratavam da progressão de regime para condenados por crimes como constituição de milícia privada, feminicídio e delitos hediondos, inclusive quando cometidos por organizações criminosas.

Segundo Alcolumbre, os dispositivos entravam em conflito com a chamada Lei Antifacção, sancionada em 24 de março, e poderiam revogar definições da legislação mais recente.

“Cabe à Presidência compatibilizar a intenção do legislador em ambas as matérias”, afirmou o senador ao justificar a exclusão dos trechos. Ele declarou ainda a “prejudicialidade” de incisos do artigo 112 da Lei de Execução Penal.

O presidente do Congresso rejeitou uma questão de ordem que buscava reverter a medida. O governo sustenta que a decisão de Alcolumbre não teria previsão legal, sob o argumento de que não seria possível fatiar um veto integral.

Veto

O PL da Dosimetria havia sido integralmente vetado por Lula no início de janeiro. Na ocasião, ao justificar o veto, o presidente defendeu a validade das condenações relacionadas ao 8 de janeiro.

“Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou [apresentações de] Powerpoint fajutas”, afirmou Lula.

PL da Dosimetria

O projeto altera parâmetros da Lei de Execução Penal e estabelece novos percentuais de cumprimento de pena para progressão de regime. Também prevê redução de penas em casos relacionados a crimes contra o Estado Democrático de Direito, incluindo os atos de 8 de janeiro de 2023.

Entre os pontos do texto, há a vedação da cumulatividade de penas para determinados crimes e a flexibilização de critérios que podem encurtar o tempo de prisão em regime fechado.

Segundo estimativas, o novo modelo pode reduzir o tempo de pena de condenados, inclusive do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cuja punição inicial mencionada no processo passaria de seis anos para dois anos em regime fechado, conforme as novas regras.

A sessão desta quinta-feira ocorre um dia após o governo enfrentar outra derrota significativa: a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Confira a votação da Câmara dos Deputados:

Confira a votação do Senado Federal:

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