Fim da escala 6x1 pode pressionar pequenas empresas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Fim da escala 6×1 pode pressionar pequenas empresas

Estudo aponta impacto sobre 31,5 milhões de formais e indica risco de aumento de custos, inflação e desemprego

Segundo o levantamento, a mudança exigirá uma reorganização ampla das escalas de trabalho. Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Por Redação

O fim da escala de trabalho 6×1, em que o funcionário trabalha seis dias e descansa um, pode atingir cerca de 31,5 milhões de trabalhadores formais no Brasil e gerar maior pressão sobre pequenas empresas. A estimativa é de um estudo do Instituto Esfera, divulgado pelo portal Poder360.

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A proposta, em debate no Congresso, incide principalmente sobre trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas semanais, realidade predominante no mercado formal. Atualmente, o modelo de 44 horas semanais concentra a maior parte dos vínculos com carteira assinada.

Segundo o levantamento, a mudança exigirá uma reorganização ampla das escalas de trabalho, sobretudo em setores como comércio e serviços, que operam de forma contínua e dependem intensamente de mão de obra.

O impacto tende a ser mais forte sobre empresas de menor porte, responsáveis por 52% dos empregos formais no país. “Negócios de menor porte não dispõem de espaço físico ou capacidade financeira para contratar novos funcionários e repor a produção perdida” .

Além da pressão operacional, o estudo aponta efeitos econômicos mais amplos. “A necessidade de contratar novos colaboradores para suprir a redução de jornada elevaria a massa salarial e os custos de treinamento” .

Os dados também indicam que a mudança atinge principalmente trabalhadores de menor renda e escolaridade. A média salarial desse grupo é de cerca de R$ 2,6 mil, com maior presença de pessoas com ensino médio ou menos. O levantamento também aponta maior participação de mulheres em jornadas longas associadas a baixos salários.

O estudo resgata ainda a experiência da redução da jornada prevista na Constituição de 1988. “A taxa de desemprego iniciou uma escalada contínua, registrando um pico histórico de 19,9% em 1999” .

Para o economista Fernando Meneguin, responsável pela coordenação do estudo, o cenário atual apresenta desafios adicionais, como a baixa produtividade e dificuldades na qualificação da mão de obra, o que pode dificultar a absorção de trabalhadores em um contexto de mudança estrutural.

Apesar dos riscos econômicos, o levantamento aponta possíveis ganhos sociais com a redução da jornada, especialmente em termos de qualidade de vida e bem-estar. No entanto, os efeitos dependerão do modelo de implementação.

“A implementação deve ser preferencialmente gradual” .

O debate no Congresso inclui propostas como a redução da jornada para até 36 horas semanais. Segundo o estudo, mecanismos como negociação coletiva e políticas de compensação serão decisivos para reduzir impactos negativos, principalmente entre pequenas empresas e setores mais intensivos em trabalho.

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