“Não vai ter salvador da pátria”, diz Galípolo sobre Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

“Não vai ter salvador da pátria”, diz Galípolo sobre Master

Presidente do Banco Central fala em “luto” na instituição e cobra atualização da legislação bancária

Galípolo cita caso Master e defende autonomia orçamentária do Banco Central para ampliar fiscalização do sistema financeiro

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

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O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que não haverá solução individual para o caso envolvendo o Banco Master.

“Não gostaria de fazer nenhum tipo de comentário que reduzisse a consternação dentro do BC. Para todos os servidores do BC, a ética é um valor muito caro. Realmente foi um processo de luto que ainda está sendo vivenciado por todos os servidores. E eu sinto muito isso”, disse.

Ao comentar o episódio, Galípolo rejeitou a ideia de protagonismo individual e defendeu atuação institucional. “É muito importante que cada um de nós desenvolva o seu papel institucional dentro do mais absoluto rigor. Significa não recuar e não ceder sobre o que são prerrogativas e o que é o seu mandato nem um milímetro e também não exacerbar buscando algum tipo de protagonismo”, afirmou.

“Não vai ter salvador da pátria para um momento como esse. Vai ser cada um de nós fazendo o que é nosso papel institucional que vai fazer a gente passar por esse desafio que está colocado para o país”, declarou.

O presidente do BC também afirmou que a estrutura colegiada da instituição funcionou como mecanismo de contenção diante das irregularidades envolvendo ex-servidores.

Galípolo voltou a defender a aprovação de um projeto de lei complementar para resolução bancária, em discussão no Congresso há cerca de uma década. Segundo ele, a legislação atual é defasada e limita a atuação em momentos de crise.

“O PLP de resolução bancária vai complementar uma década em discussão. Seria importante ter atualização de legislação que tem mais de 50 anos. E que pudesse ter ferramentas de atuação em caso de instabilidade de maneira mais rápida e com mais instrumentos”, disse.

Ele afirmou que o debate deve ocorrer antes de situações críticas. “A história mostra que, no fim do dia, a gente tem que usar essas ferramentas. A discussão é se vamos fazer em tempos de paz e calmaria, para a gente poder debater tranquilamente. Ou se vamos ser pressionados. O BC tem pouca dúvida: quando acontece essas coisas, os olhos se voltam para a gente e a gente é obrigado a tomar decisões neste momento”, concluiu.

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