O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou na tarde desta quinta-feira (26) que 101 milhões de brasileiros têm dívidas no cartão de crédito, com juros acima de 100% ao ano, as mais altas do mercado. Os dados se referem a janeiro.
Segundo Galípolo, o crédito rotativo, que deveria ser usado apenas em emergências, passou a ser utilizado de forma recorrente, o que agrava o endividamento.
A declaração, feita ao comentar relatório de política monetária divulgado ontem (25) pelo BC, ocorre em meio à preocupação do governo petista com o nível de dívidas das famílias, próximo dos maiores patamares das últimas décadas.
Galípolo atribuiu a pressão sobre a renda a uma sequência de choques econômicos recentes, como pandemia, guerra na Ucrânia, disputa tarifária dos EUA e o conflito no Oriente Médio.
“O cidadão vê os preços. Entende pouco de IPCA, mas vê o preço do leite e do pão. A gente vem de quatro choques consecutivos. Mesmo que consiga controlar a inflação, os preços subiram quatro degraus. Isso se soma ao que está impactando orçamento das famílias”, afirmou o presidente da autarquia.
Segundo Galípolo, a perda de renda levou trabalhadores a buscar crédito como complemento financeiro. “Cresceu o número de cartões crédito”, disse o economista.
O presidente do BC alertou ainda que o uso do crédito rotativo como renda é inadequado, por se tratar de uma linha com taxas “punitivas”.
