CPMI do INSS encontra indícios de rede bilionária de lavagem de dinheiro
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Política

CPMI do INSS encontra indícios de rede bilionária de lavagem de dinheiro

Gaspar aponta conexões com PCC, Hezbollah, bancos e descontos associativos

Sigilo de Vorcaro gera conflito entre CPMI e STF

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), deputado Alfredo Gaspar (União-AL), revelou nesta segunda-feira (23) que a comissão identificou indícios de uma complexa rede de lavagem de dinheiro, estimada em cerca de R$ 40 bilhões.

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Durante coletiva ao lado do presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), e demais integrantes da CPMI, Gaspar elogiou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que determinou a prorrogação dos trabalhos da comissão.

“Quero parabenizar o ministro Mendonça pela coragem de corrigir uma omissão que prejudica o povo brasileiro”, afirmou.

Relatório

O relator destacou que, mesmo diante de pressões políticas, manteve o foco técnico do parecer.

“Fui praticamente obrigado, pela ausência de prorrogação, a antecipar o relatório. Hoje tenho um documento com cerca de 5 mil páginas e 228 indiciados”, disse.

Segundo ele, o relatório não cita o presidente Lula (PT) nem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pois o papel do colegiado é técnico.

“Nosso trabalho é baseado em dados da Controladoria-Geral da União (CGU), do Tribunal de Contas da União (TCU), depoimentos e quebras de sigilo”, explicou.

Gaspar reforçou que a CPMI busca corrigir “uma dívida histórica da Previdência Social para com o povo brasileiro” e criar mecanismos para blindar o sistema previdenciário.

“Essa esculhambação aconteceu porque a Previdência foi loteada para atender interesses políticos. Se fosse baseada em técnica, isso não teria acontecido”, disse.

Rede bilionária de lavagem de dinheiro

O relator detalhou a rede descoberta pela CPMI. Segundo ele, a investigação identificou movimentações que somam quase R$ 40 bilhões, envolvendo grupos criminosos nacionais e internacionais, como as organização criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Hezbollah, utilizando o sistema previdenciário como porta de entrada.

“Entramos pelo INSS e, por meio de uma entrada de R$ 150 milhões, descobrimos uma rede que não esperávamos. Há mecanismos de desconto associativo ligados a bancos, que deixam o Brasil exposto a rotas internacionais de lavagem de dinheiro”, afirmou.

Gaspar destacou que a prorrogação da CPMI permitirá avançar em novas estratégias de investigação, consolidar provas e reforçar a legislação.

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