Defesa vai ao STF contra prisão de contador
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Defesa vai ao STF contra prisão de contador em caso de vazamentos

Advogado aponta falta de acesso aos autos e cita “participação diminuta” do investigado

Defesa vai ao STF contra prisão de contador em caso de vazamentos

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A defesa do contador Washington Travassos de Azevedo decidiu entrar com uma ação de reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a falta de acesso aos autos e circunstâncias envolvendo sua prisão, no último dia 13, em investigação sobre vazamento de dados sigilosos de autoridades.

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Segundo o advogado, o depoimento prestado por Washington à Polícia Federal no dia da prisão indica sua “participação diminuta” no caso e o “distanciamento de qualquer organização criminosa”.

No depoimento, o contador admitiu ter solicitado a um despachante dados fiscais de dois CPFs. Ele afirmou que não sabia a quem pertenciam as informações no momento do pedido.

A defesa sustenta que Washington não tem relação com o suposto esquema que teria acessado mais de 1,8 mil declarações de Imposto de Renda, citado pela Procuradoria-Geral da República. No pedido de prisão, a PGR apontou o contador como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais”.

A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. O caso tramita sob sigilo. A medida ocorreu após operação autorizada pelo ministro no início de março, com cumprimento de mandados de busca e apreensão.

A investigação apura a obtenção irregular de dados fiscais de autoridades, incluindo pessoas ligadas a ministros do STF.

O advogado Eric Cwajgenbaum afirma não ter acesso aos fundamentos da prisão e questiona a manutenção da custódia. Segundo ele, o contador segue preso há mais de uma semana.

Inicialmente, havia determinação para envio ao presídio federal de Brasília, o que não foi cumprido. Após audiência de custódia, Washington foi mantido na cadeia José Frederico Marques, no Rio de Janeiro.

Posteriormente, foi transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, após abertura de vagas.

A defesa afirma que o STF ainda não concedeu acesso aos autos, mesmo após solicitações. O recurso apresentado busca garantir o direito de acesso às informações, com base na súmula vinculante nº 14.

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